sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Repositórios de software Linux e gerenciador de pacotes Synaptic

Fig. 1 - Synaptic: 47 mil pacotes de software, classificados por status (instalados / não instalados no computador)

Os repositórios de software para Linux, disponíveis gratuitamente na rede mundial, — e o gerenciador de pacotes Synaptic, que agiliza a busca e a instalação, — me convenceram, faz mais de 10 anos, a não depender mais do Windows para trabalhar.

Não se trata de “ter” um sistema “meio esquisito” no computador “doméstico”. Trata-se de eliminar uma dependência, — para pesquisar, trabalhar, manter comunicação com o mundo, — que completaria 30 anos, daqui a 6 meses.

Porém, não sou “expert” (computação não é minha área). —Também não posso depender de “suporte externo” (nem deixar que cada mudança tecnológica afete a “produção”). — E já aprendi tanta coisa (para depois jogar fora), que não mergulho mais “de cabeça” em cada novidade, como se precisasse “entender tudo”.

Virei “leigo profissional”, — aprendo, hoje, o que preciso hoje; — o resto, aprendo quando precisar.

Isso afeta meu relacionamento com seres estranhos, tais como “linha de comandos”, scripts, Synaptic, Muon, Adept, Apper etc.

Portanto, não estranhe se fujo do esquema tradicional, de “definições” que não explicam nada, e soluções que são ótimas… para quem já entende do assunto. Nunca vi ninguém entender nada, lendo “definições”.

Digamos que “repositório” é onde “ficam” os softwares — com alguém zelando pela confiabilidade deles; — e Synaptic é minha ferramenta preferida para encontrar, baixar e instalar tais softwares.

Os dois fazem parte de um sistema — bem maior — organizado para que  as coisas funcionem, o melhor possível. Se você decide instalar um “aplicativo”, poderá ser avisado de que ele depende de vários outros “pacotes”, que ainda não existem no seu computador. Você dá Ok, e o Synaptic instala o conjunto completo.

(Fica claro, portanto, que “pacote” não é, necessariamente, um “aplicativo”. — Pode ser um “driver”, uma “biblioteca” etc., — enfim, softwares que a gente não “clica para usar”, porém necessários ao funcionamento geral).

Fig. 1 - Acima, o Synaptic hoje cedo, listando 47.044 pacotes de software, — quase todos de “código aberto” (nada de “caixa preta”!), —  classificados conforme o status no computador: “Instalado”, “Instalado manualmente”, ou “Instalado obsoleto” (que já pode ser eliminado), e “Não instalado”.

Esta é a exibição mais usada, no dia-a-dia. Se você seleciona “Instalado”, na coluna lateral, será listado apenas este subconjunto. Para saber se existe alguma coisa que pode ser eliminada, selecione “Instalado (local ou obsoleto)”. E assim por diante.

Antes de mais nada, clique em “Recarregar” (1º ícone do Menu), para receber a listagem mais recente dos “repositórios”. Se houver atualizações, surge mais uma categoria de status: “Instalado (atualizável)”. Basta clicar em “Marcar todas as atualizações”, e depois em “Aplicar”. Você será avisado dos pacotes a serem baixados (inclusive bibliotecas e complementos, chamados “dependências”), quantos bytes terá o download, quanto espaço vão ocupar no HD etc. Clicando “Marcar”, eles serão marcados para instalação / atualização.

Você pode procurar mais algumas coisas, e ir “marcando”.

No final, você clica em “Aplicar”, ele apresenta o resumo de tudo que será feito. Não sendo detectado nenhum problema, você dá Ok, começa o download, e depois a instalação.

Continue com seu trabalho. O Linux nunca exigiu que encerrasse tarefas ou fechasse janelas, enquanto instala ou atualiza alguma coisa.

Voltemos à Fig. 1: A listagem exibida indica a “última versão” de cada pacote, e uma descrição curta. Ao selecionar um pacote, uma descrição mais completa é exibida no campo de baixo (com links para obter mais informações).

Retângulos preenchidos de verde assinalam os pacotes já instalados. Para esses, também indica a “versão instalada”.

No rodapé, o total de pacotes listados, quantos estão instalados, quantos estão “quebrados” (no computador), e quantos você já marcou para instalar / atualizar / “reinstalar” (corrigir), ou para remover.

Fig. 2 - Tela do Synaptic com os pacotes de software classificados por Seções (áreas de trabalho)

Fig. 2 - Embaixo do painel lateral, existem outras opões.

Se você escolhe “Seções”, poderá filtrar os pacotes de “Aplicativos de vídeo”, ou de “Banco de dados”, ou de “Ciência”, por exemplo — cada um, subdividido por repositórios de origem (Principal, Multiverse, Não livre, Universe), que veremos adiante.

Fig. 3 - Tela do Synaptic com os softwares classificados pelos “repositórios” de origem

Fig. 3 - Escolhendo listar os pacotes por “Origem”, podemos visualizar, na prática, o significado desta famosa definição, que encontramos por toda parte, quando procuramos descobrir o que são os tais “repositórios”:

  • Main - Programas “oficialmente suportados”.
  • Restricted - Programas “suportados”, cuja licença não é 100% livre (por exemplo, drivers Nvidia).
  • Universe - Programas mantidos pela comunidade, ou seja, que não são suportados oficialmente.
  • Multiverse - Programas que não são "livres" (por exemplo, Flashplugin, Fontes True Type).

Essa “definição” clássica não esclarece grandes coisas, para o iniciante (mesmo incluindo alguns exemplos, como fiz).

Na Fig. 3, você vê, com seus próprios olhos,  alguns dos tais programas “não livres” — e isso, para mim, ensina muito mais sobre “Multiverse”, do que 1.001 definições ou explicações detalhadas.

Percorrendo outros repositóriosMultiverse”, no Synaptic, é muito fácil transformar a “definição abstrata” em noção concreta das coisas, tal como são na “real”. Depois disso, você volta na “definição”, e entende o que ela “queria dizer”.

Começa a entender, também, que o Synaptic oferece muito mais do que a mera facilidade de encontrar, baixar e instalar software.

Fig. 34-36 - Proporção de softwares disponíveis nos diferentes repositórios

Na Fig. 34-36, por exemplo, incluí na listagem a coluna “Componente”, que usei para indexar a exibição. Depois, fiz 3 prints, que cortei e coloquei lado a lado, para montar uma comparação visual.

Primeiro, configurei o Synaptic para exibir a coluna “Componente”. Depois, cliquei nela, para ordenar todos os 47.044 pacotes, segundo a ordem alfabética dos repositórios de origem: “Main” (Principal), “Multiverse”, “Non-free”, “Restricted”, “Universe”.

Pelo indicador da barra de rolagem, fica evidente que os “pacotes” dos repositórios “Main” não chegam a 25% do total, enquanto os dos repositórios “Universe” são quase 75% da coleção disponível.

O acervo detectado pelo Synaptic em repositórios “Multiverse”, “Non-free” e “Restricted” não passa de uma tripinha, imprensada entre eles — embora possa ser muito chato viver sem alguns dos “pacotes” disponíveis nesse pequeno intervalo.

Fig. 33 - Pacotes instalados, ordenados por “Componente”

Na Fig. 33, foram listados apenas os pacotes instalados no computador, segundo a mesma ordem alfabética dos repositórios de origem, — e salta à vista que a proporção se inverte por completo: — A grande maioria dos pacotes instalados vêm dos repositórios principais (“Main”), e menos de 1/3 vêm de repositórios “Universe”.

Pouquíssimos vêm de repositórios “Multiverse”; apenas 1 é “Non-free”; e não existe nada de origem “Restricted”.

Ficamos, então, com 2 grandes repositórios:

  • Main - Programas “oficialmente suportados”.
  • Universe - Programas mantidos pela comunidade, ou seja, que não são suportados oficialmente.

Essa descrição dos repositórios “Universe” pode dar uma ideia um tanto injusta: — Um viveiro de bichos meio suspeitos, não muito confiáveis.

Não é bem isso!

A equipe que monta uma “Distribuição”, — como Ubuntu, Kubuntu, Mint etc., — tem em vista criar um “Live CD”, capaz de dar boot, “carregar” o sistema operacional, e ainda “rodar” uma série de aplicativos úteis ao maior número de usuários (Navegador, Office etc.), sem exigir instalação prévia no computador. O espaço é limitado. Até pouco tempo atrás, costumava caber tudo em 700 MB (CD). Agora, ultrapassa 1 Giga.

Tudo, dentro do “Live CD / DVD”, deve se encaixar e formar um conjunto consistente, amigável, atendendo  às limitações de qualquer iniciante. Facilitar a instalação no computador, se o novato gostar da experiência inicial. Depois disso, receber correções (pois sempre se descobrem falhas) e alguma atualização, durante 1 ano e meio, que é o período do “suporte”.

Uma “Distribuição” também pressupõe um conjunto bem maior de softwares (aplicativos, drivers, bibliotecas), para ser útil como sistema operacional. Daí, a necessidade de se criarem “repositórios”, — cujo conteúdo também deverá ser consistente, e receber alguma atualização, correções etc. durante o período do “suporte”.

Enquanto isso, a “comunidade”, — que é de onde vieram os pacotes reunidos na “distribuição”, — segue desenvolvendo normalmente. Seria impensável ficar parada, — como também seria impensável a equipe de cada “distribuição” tentar se responsabilizar pela compatibilidade de dezenas de milhares de pacotes que a “comunidade” continua desenvolvendo e atualizando, furiosamente.

Aquela “fatia” de softwares incluídos na Distribuição (“repositórios” inclusive) deve permanecer mais ou menos “estável”. O preço disso é uma perda de “novidade” (vitalidade), em benefício do usuário iniciante.

No caso das distribuições “Long Term Service” (LTS), que devem receber “suporte” durante 3 ou 5 anos, a perda de vitalidade é ainda maior, para maior durabilidade, — em benefício de quem tem um negócio, e não quer investir em mudanças, treinamento de pessoal etc., de 6 em 6 meses, a cada vez que surge uma nova Distribuição.


Boa parte dessa “estabilidade”, portanto, está embutida nos “repositórios” que vêm previamente definidos. Neles estará uma “fatia” mais segura, a ser mantida sob certo controle.

Mas, você pode configurar outros “repositórios” adicionais, — afinal, você não quer passar o resto da vida num berço com grades de proteção. Ou quer?

Fig. 9 - Repositórios configurados para o Synaptic buscar aplicativos e suas atualizações

Não lembro exatamente quais “repositórios” já vieram  configurados para a busca de atualizações e de novos pacotes. Minha primeira providência, em geral, é apenas “desmarcar” os repositórios de código-fonte (“src” = source), assim como o próprio CD/DVD de instalação (se já não foi desmarcado automaticamente, ao fim da instalação).

Onde se lê “trusty”, trata-se do Ubuntu / Kubuntu 14.04 (Abril 2014). Tudo que se vê aí, destina-se a essa “Distribuição” (também se diz “Distro”, para economizar língua). Somente o repositório do Google não é específico do “trusty”.

O repositório Google foi adicionado para a instalação do GoogleEarth. Lá estão descritos os procedimentos insanos que segui para isso (sempre pesquisando em várias fontes, e anotando tudo, para poder desfazer).

PPA =  “Personal Package Archives”. São repositórios individuais, de milhares de desenvolvedores, hospedados na plataforma Launchpad, mantida pela Canonical Ltd. para apoio ao trabalho da “comunidade”. Você adiciona PPAs, caso por caso, para experimentar pacotes específicos.

O PPA do Daniel Richter (no topo da lista) foi adicionado para instalar e manter atualizado o Grub-customizer, em 2012, quando descobri que o antigo Startup-manager deixou de existir no Ubuntu 12.04.

Em geral, o acréscimo funciona melhor por linhas de comando, pois não basta adicionar novos endereços pelo botão “Novo” (Fig. 9). Também é preciso obter a chave de segurança (Key).

Em cada caso, tenho usado linhas de comando indicados por sites que considere mais confiáveis. É comum encontrá-las num blog, depois em outro. Mesmo quando não dão o link da fonte, é muito fácil pesquisar pelo Google e chegar até a fonte original das linhas de comando, para conferir e aprender mais.

Ao pesquisar dicas & ajuda, fique sempre de olho na data das postagens. Dicas muito antigas podem já não funcionar. O Google permite estabelecer a época dos resultados que deseja encontrar. O “último ano” já é um bom limite, na maioria dos casos.

Fique atento, também, para a Distribuição a que se referem as dicas de linhas de comando. No caso do Kubuntu 14.04, o apelido é trusty. Muitas vezes, as postagens dizem para substituir o apelido usado lá, pelo apelido da sua Distro. Se você não se sentir seguro de fazer isso, pesquise até encontrar a dica mais correta e atual. E, antes de usá-la, não custa nada pesquisá-la até a origem (site da própria Distro, ou do repositório a ser adicionado).

O GetDeb foi acrescentado para instalação do BlueGriffon, que ainda não deu certo. Quando conseguir, conto como foi.

Fig. 7 - Histórico de pacotes instalados, atualizados e removidos pelo Synaptic

Os logs de instalação, remoção e atualização de pacotes, — por mês, dia e hora, — podem ser muito úteis (Fig. 7). Fico sabendo que só comecei a usar o Synaptic no dia 17 Setembro 2014, embora tenha instalado esse Kubuntu 4 dias antes.

É que o Kubuntu vem com outro programa, — chamado “Descobridor do Muon”, — que não me agrada. Para começo de conversa, esse “Descobridor” não consegue “descobrir” o Synaptic. Então, preciso usar o “descobridor” para instalar um outro programa, — chamado “Gerenciador de pacotes Muon”, — que finalmente é capaz de encontrar e instalar o Gerenciador de pacotes Synaptic. Acho que já deu para entender por que não gostei do “Descobridor”.

Se gostasse de usar “linha de comando”, — ou quisesse posar de bacana perante o pobre novato, — bastava abrir um “Terminal” (ãhn?), lascar um Sudo (ãããhhnnn???), e mandar essa ordem:

sudo apt-get install synaptic

Ninguém merece, né.

Fig. 8 - Pesquisando no Synaptic todas as vezes que instalei, desinstalei, atualizei o Unison

O histórico do Synaptic também pode ser muito útil para saber quando (e quantas vezes) cada pacote foi instalado, atualizado, reinstalado (para tentar “corrigir”) ou desinstalado. Basta pesquisar pelo nome.

Na Fig. 8, uma pesquisa localizou rapidamente minha “briga” para desmanchar uma antiga configuração do Unison.

Sabendo que a “briga” foi em 1º Dez. 2014, ficou fácil localizar no caderno as anotações, com todos os detalhes.

Esse caderno de anotações (por data) é muito prático, — principalmente quando algum problema te impede de acessar o HD ou pesquisar na web.

• Colunas adicionais


Fig 99 - Seleção das colunas exibidas no Synaptic

Para obter os resultados da Fig. 33 e da Fig. 34-36 (montagem), o Synaptic foi configurado para exibir a coluna “Componente”.

O caminho para isso é:

Configurações → Preferências → aba Colunas e fontes

Além de marcar / desmarcar as colunas a serem exibidas, você também pode alterar a posição de cada uma. Basta selecionar qualquer uma delas e mover “para cima” / “para baixo”, pelos botões à direita.

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• Acrescentado em 30 Abr. 2016, usando a versão “0.83” do Synaptic, no Kubuntu 16.04.

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Ferramentas &tc.


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