quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Monitorando a temperatura da CPU no Linux e no Windows

Tela do CPUID HWMonitor (Windows) — com a temperatura normalizada, após a limpeza geral

Na onda de calor que antecedeu as primeiras chuvas dessa primavera no DF, o computador começou a apresentar comportamentos inesperados.

Por exemplo, reiniciar sozinho, de repente, — justo quando você está com meia dúzia de programas abertos ao mesmo tempo, — e, num piscar de olhos, as tarefas em andamento vão todas para o espaço.

Mas, também havia outros problemas, — que mal lembro, agora, — e, por conta deles, já vinha acelerando a migração de mais algumas tarefas, do Windows para os dois Linux (32-bit e 64-bit), que se mantinham bem mais estáveis.

O computador já vive aberto, bem à vista, em cima da mesa, — desde 2008 (ou antes), quando a ventoinha do antigo computador parou por completo, um belo dia, e ele quase foi para o espaço, — de modo que, agora (16 Out. 2015), bastou esticar a mão para confirmar que alguma coisa estava quente demais.

Reiniciei o computador, mantendo DEL apertado, — ir para a BIOS, — e verifiquei que a CPU estava com 68,5ºC. E logo evoluiu para 74,5ºC.

Desliguei por 1 ou 2 horas, e fui pensar no que fazer.

Não via jeito algum de retirar o cooler (ventoinha), — para limpar, — e depois reinstalar na CPU, sem desmontar a placa-mãe, e mais um monte de coisas. Mas, não podia desmontar o micro naquele momento.

Precisava, então, de mostradores de temperatura da CPU, — tanto no Windows quanto no Linux, — para atravessar mais alguns dias de trabalho.

Numa busca rápida na internet, encontrei várias sugestões de software para monitorar / exibir a temperatura da CPU, placa-mãe etc.

CPUID HWMonitor

Primeiro, baixei e instalei no Windows o CPUID HWMonitor. A versão free não oferece muitas opções, mas foi muito útil. De imediato, permitiu verificar que a temperatura da CPU estava em 60ºC, — ao realizar alguma tarefa rápida, foi a 71ºC, — e em seguida foi baixando para 67ºC.

Estava bom de encerrar o dia.

No dia seguinte, 17 Out., verifiquei que a CPU foi a 65ºC logo no carregamento do Windows. Depois, — deixado “em repouso”, — baixou até 55ºC.

Tratei de resolver o assunto mais urgente daquele dia, — uma resposta por e-mail, consultando vários documentos, — e o trabalho no Gmail não levou a CPU a mais do que 60ºC.

Comecei a trabalhar no Facebook, e a temperatura da CPU logo chegou a 98ºC.

O problema maior, portanto, estava no festival de javas, layers & outros bichos, comandado pelo FB, além da profusão de vídeos.

Primeira lição: — Não olhar os vídeos, no FB.

Testei o óbvio, — só para não deixar dúvida, — e o Youtube também levou a CPU a 98ºC, em poucos segundos.

Como não podia interromper vários trabalhos, tratei de conter os maus hábitos, fechar o excesso de abas e janelas, e me concentrar no fundamental.

De preferência, num dos dois Linux.

PS.: Naqueles primeiros 2 dias (16 e 17 Out.), estava olhando a temperatura “CPUTIM”, — “CPU Temperature Index”, — que é bem inferior à temperatura do núcleo “Core 0”. Isso pode ter gerado disparidade com outras leituras, dadas por outros programas. É possível que tenha influenciado, de alguma forma, na impressão de que o Windows provocava maior aquecimento. Esse “erro” prosseguiu em todas as demais leituras que fiz do HWMonitor, até o final daquele mês, — ou seja, até o final deste relato. Para mais esclarecimentos (ou mais confusão), recomendo este tópico de 2011 sobre a diferença entre “Tcase” e “Tjunction”; e também este outro tópico, explicitamente sobre “CPUTIM a 85ºC[FRC, 4 Nov. 2015].

Tela do Psensor (Linux) — já com a temperatura normalizada, após a limpeza geral

Psensor

No final do mesmo dia 17 Out., instalei no Kubuntu (Linux) os “pacotes” lm-sensors e fancontrol. Em 18 Out. 2015, logo cedo, instalei no Linux os “pacotes” hddtemp e psensor. Esses 4 “pacotes” trouxeram, junto, mais algumas “bibliotecas” e “dependências”, — é o normal.

De todos esses, consegui me entender bem, desde logo, com o Psensor, — que configurei para carregar junto com o Kubuntu, — mas não sei quais, dos outros, ele utiliza. Na dúvida, deixei todos lá.

Psensor, lm-sensor, fancontrol e bibliotecas, obtidos no Linux através do Synaptic

De início, o gráfico ficava do lado direito, — inverti a posição, e ajustei a largura.

Bastou marcar a opção “CPU Temperature”, na caixa do lado direito, para o gráfico mostrar do lado esquerdo a evolução dos últimos 10 minutos, com atualização permanente.

Logo ficou evidente que os dois sistemas Linux (i386 e amd64) exigem bem menos esforço da CPU.

Usei o Wine (no Linux) para abrir um programa “pesado” do Windows e mandei executar suas 2 tarefas mais “pesadas”, uma após outra, com duração total de vários minutos. Ao final, a CPU não passou de 84ºC.

A essa altura, lembrei de um pequeno ventilador de mesa, — que já me ajudou em situações assim, desde os anos 90, e andava esquecido no meio das tralhas, — liguei e deixei apontado para a CPU. Logo a temperatura baixou e se estabilizou em 54~55ºC.

Mais tarde, no mesmo dia, voltei ao Facebook, — no Linux, usando apenas o Chrome, sem o ventilador de mesa, — e a temperatura da CPU foi de 74ºC a 84ºC. Tornei a ligar o ventilador, saí do Facebook, e rapidamente caiu para 58ºC. Mais algum tempo no navegando no Facebook, — agora, com o ventilador, — e foi a 76ºC.

PS.: Note que, ao adotar o Psensor no Linux, tudo indica que continuei olhando a temperatura “CPUTIM”, — “CPU Temperature Index”, — que é bem inferior à temperatura do núcleo “Core 0” [FRC, 4 Nov. 2015].

Tela do Speccy (Windows) — já com a temperatura normalizada, após a limpeza geral

Piriform Speccy

Um incômodo do CPUID HWMonitor é a quantidade de informações, todas em forma de texto e números, — o que dificulta olhar e localizar a temperatura da CPU, dezenas de vezes por dia.

No dia 19 Out., encontrei uma outra dica, baixei e instalei no Windows o Piriform Speccy.

Speccy (Windows): — Visualizar >> Opções >> System Tray

A versão free pode ser facilmente configurada para “minimizar” na forma de um mostrador na barra de tarefas, — e você escolhe qual item será mostrado ali, — bem ao lado do “relógio”.

Speccy minimizado: 45ºC, ao lado do relógio

Escolhi a exibição da temperatura da CPU.

Mais informações ao passar o mouse sobre o mostrador do Speccy

Passando o mouse por cima do mostrador, aparecem também as temperaturas da placa-mãe e dos dois HDs.

Speccy versus HWMonitor

Quando o Speccy oferece a opção “CPU 0”, dá a entender que não se trata do núcleo “Core 0”

Comparando com HWMonitor, descubro que Speccy indica, sim, a temperatura do núcleo “Core 0”

PS.: Note que, ao configurar o Speccy, — Visualizar >> Opções >> System Tray, — para mostrar na barra de tarefas a temperatura da “CPU”, o campo inferior exibe uma subopção “CPU 0 Average Temperature”. Porém, não afirma que se trata do primeiro núcleo (“Core 0”). As temperaturas do núcleo “Core 0” e do núcleo “Core 1” são opções claramente distintas. Mas, ao abri-lo, agora, lado a lado com o HWMonitor, descobri que a temperatura indicada pelo Speccy é, sim, a do “Core 0”. Só isso já invalida boa parte das observações em que me baseei para concluir que o Windows exigia mais da CPU [FRC, 4 Nov. 2015].

A caixa d’água pegou fogo

Logo pela manhã do dia 19 Out., o Inmet alertou para uma onda de calor em todo Centro-Oeste (e outras regiões próximas, também).

Tempo abafado. Ar parado e quente.

À tarde, trabalhando no Windows, a CPU chegou perto dos 95ºC, por várias vezes, — mesmo abrindo apenas os programas estritamente necessários, um de cada vez.

Tratei de fazer só o mais urgente, — e desligar o computador nos intervalos, — em especial, das 15h às 19h (horário de verão desde a véspera).

Fui dormir cedo, não tinha jeito. — Quem sabe, de madrugada melhorava?

Voltei no dia 20 Out., às 3h da madrugada (4h pelo horário de verão), mas o trabalho contínuo no Facebook, — pelo Windows / Chrome, — levava a temperatura da CPU a 83ºC. Foi necessário ligar o ventilador de mesa.

Às 11h da manhã (horário de verão), o mesmo trabalho contínuo no Facebook, — pelo Linux / Chrome, — levava a temperatura da CPU a meros 60ºC.

No final da tarde, o mínimo do Windows, — sem fazer nada, — era de 61~62ºC. Abri uma página leve, no Chrome, e a temperatura da CPU pulou para 85ºC. Qualquer tentativa de trabalho, pulava para 95ºC. Ao abrir a barra lateral do Yoono, chegou a 100ºC.

Esse padrão, — maior aquecimento nos Windows do que no Linux, — prosseguiu sem alteração nos dias 21 e 22.

No final da tarde do dia 22, a caixa d’água pegou fogo. Só desligando a energia, para não cozinhar debaixo do chuveiro.

À 0:40 h do dia 23 Out., finalmente pude retirar a ventoinha da CPU (cooler), só para constatar o óbvio — estava tão entupida de poeira, que não tinha nem por onde o vento passar. Suspeitei desde o princípio.

Agora, tinha 24 horas para reler Hardware: o guia definitivo (do Morimoto), desmontar o micro, levar a ventoinha ao borracheiro (para limpar com um jato de ar comprimido), conversar com alguns experts na feira, voltar e montar tudo de novo.

Mas isso, já é uma outra estória.

Qual a temperatura “normal”?

Eis uma questão, em que nunca tinha pensado.

Quando montei o computador, em 2009, — tudo novo, limpinho, zerado, — anotei todo tipo de parâmetros e configurações. Só não tive a ideia de anotar as temperaturas. Felizmente, fotografei.

Temperatura da CPU e rotação do cooler em 2009, ao montar o computador

Computador recém-montado, — tudo novo, cooler lubrificado de fábrica e sem desgaste, — ao dar a partida a CPU ficou em torno de 38,5ºC, e a ventoinha girava mansa, 1.318 RPM.

É claro que, ao carregar Windows (ou Linux), abrir vários programas, trabalhar várias horas, a coisa esquenta bem mais do que isso.

Num dos vários fóruns onde pesquisei, agora, vi gente afirmando até que 130ºC era normal, no computador dele. Ô loco. Tinha de estar zoando, só pode. No mesmo tópico, um participante mais sensato, — daqueles que mostram conhecimento de causa, — comentou que no computador dele a CPU raramente passa de 50ºC.

De fato, é o que tenho observado agora, após a limpeza do cooler e remontagem do micro, — com alguma variação para mais, já que não uso ventoinha de chassi (ele fica aberto), — mas também não tenho placa 3D, nem aceleradora, nem “envenenei” o clock, nem nada.

Temperatura da CPU e rotação do cooler, atualmente, após 2 horas de trabalho no Windows
PS.: Hoje, após 2 horas de trabalho no Windows (atualizando este relato), CPU em 44,5ºC e ventoinha em 3.000 RPM. Por que CPU Q-Fan Control “Disabled”? Sei que, em algum momento (não muito recente), algo me convenceu a desabilitar esse controle pelo hardware. Caso torne a reabilitá-lo, surge uma subopção “CPU Fan Profile”, com 3 alternativas: “Optimal”, “Silent Mode” e “Performance Mode” [FRC, 4 Nov. 2015].

Qual a temperatura máxima?

Gostaria de acreditar que o HWMonitor, o Speccy e o Psensor “sabem” qual seria o limite, e me avisariam do perigo, — mas, disso, ainda não tenho a menor certeza. Cada um tem suas características. Num deles (não lembro qual), você escolhe os limites para disparo de um alerta (o que não ajuda em nada, quando a gente mesmo não sabe).

A única certeza é que, — se a coisa ficar feia, — o próprio hardware desliga (ou reinicia), sem aviso.

Há um “diodo térmico”, para isso, — e a ele devo agradecer as vezes em que a tela ficou preta, no meio de vários trabalhos em andamento, e reiniciou o sistema. Evitou o pior.

Isso não aconteceu nenhuma vez, durante a semana de 16 a 22 Out. 2015, em que monitorei a temperatura pelo HWMonitor, o Speccy e o Psensor. O simples fato de estar consciente, observar a temperatura e aliviar o esforço da CPU, já foi suficiente para reduzir os riscos.

Quanto ao “limite razoável”, depois de pesquisar tudo que pude, naquela semana, — não me pergunte exatamente ondes, — cheguei à conclusão de que 95°C já é faixa de risco, ou quase.

Por via das dúvidas, sempre que chegava perto de 90ºC, já tratava de parar o trabalho, fechar alguns programas, abas e janelas. Só não assoprava para ajudar, porque queria evitar a fadiga.

PS.: A confirmação acabou surgindo depois de publicar este relato, quando comecei a conferir algumas dúvidas, e voltei a uma dica do Edivaldo Brito, que a traduziu do Make Tech Easier. É o que abordo no tópico logo abaixo, acrescentado agora [FRC, 4 Nov. 2015].

Lm-sensors X Psensor [FRC, 4 Nov. 2015]

Procurando mais algumas alternativas para monitorar a temperatura da CPU nos sistemas Linux (i386 e amd64), acabei voltando ao conjunto “lm-sensors” (modo Terminal) e “psensor” (modo gráfico).

E descobri que o “lm-sensors” (modo Terminal) dá excelentes informações sobre temperaturas “altas” e “críticas”.

Comparação do Psensor (gráfico) com o Lm-sensor (terminal), no Kubuntu i386

Enquanto o “psensor” se limita a informar os máximos e mínimos observados num período recente, — com opção, até, de zerar esse “histórico”, — o “lm-sensors” informa “limites” mínimos e máximos (no caso da ventoinha do cooler), bem como as temperaturas consideradas “altas” e “críticas”.

Esses parâmetros são detectados (acredito eu) na fase “preparatória” para rodar o “lm-sensors”.

1) Instalação:

sudo apt-get install lm-sensors
(Na verdade, já o havia instalado pelo Synaptic).

2) Configuração — detectar o hardware:

sudo sensors-detect

3) Executar de modo permanente, para acompanhamento dinâmico:

sudo watch sensors

Computador aberto, ventilador &tc.

Não se recomenda, pelo que vejo no 4º comentário de um tópico de 2011:

— “Aí já calham em usar o gabinete aberto (outra burrice, corta toda ventilação do sistema e toda circulação de ar quente-frio proveniente dos coolers), isto quando não tacam um ventilador assoprando de cara pro computador, hehe, utilidade 0”.

Portanto, crianças, não sigam meu (mau) exemplo.

— … ≠ • ≠ … —

Ferramentas &tc.


2 comentários:

  1. provavelmente apenas deve estar com a pasta termica seca(resecada)
    leve em alguma lugar que mecha com computadores e peça para trocar a pasta termica, mas peça pasta de prata, é um pouco mais cara mas vale apena, ajuda a refrigerar melhor e dura mais tempo....

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    1. Com certeza, a pasta já tinha virado pó!

      Mas a ventoinha do cooler também estava entupida de poeira, não tinha como passar ar para esfriar. Levei num borracheiro e limpei com um jato de ar comprimido por 10 minutos!

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