sábado, 5 de novembro de 2022

Quantas pessoas cabem na Esplanada dos Ministérios?

Esplanada e suas pistas norte (N1) e sul (S1), da L2 à Alameda
(2004, ainda sem o Museu e a Biblioteca Nacional, junto à via S1)

Cerca de 200 mil pessoas participaram da 1ª posse de Lula, em 2003, segundo noticiaram naqueles dias a revista Época (grupo Globo) e o jornal O Estado de S. Paulo, atribuindo esse número à PM-DF, que há décadas realiza a avaliação “oficial” de multidões em Brasília. — A Folha de S. Paulo atribuiu à PM-DF uma avaliação de 150 mil pessoas — e O Globo atribuiu à PM-DF uma avaliação de 70 mil pessoas (embora publicasse 200 mil em sua 1ª página).

O fato é que a PM-DF divulgou números progressivos, de 70 mil “logo após o almoço” (show dos artistas) — 150 mil “no final da tarde” — e 200 mil em algum momento posterior, segundo 2 órgãos da grande mídia (pelo menos).

Mas, logo, esses números começaram a encolher.

Apenas 3 semanas depois, a Folha de S. Paulo encomendou uma revisão com base em fotos aéreas selecionadas — e reduziu o número para 71 mil pessoas.

No início de 2007, o portal G1 (Globo) publicou matéria da Agência Estado, em que a multidão de 2003 era avaliada em 120 mil pessoas. — No final de 2006, o Estadão já tinha publicado matéria falando em 110 mil pessoas.

Em 2019, a PM-DF foi questionada pela plataforma “Aos Fatos” e deu 2 repostas diferentes: — Primeiro, que não tinha mais aqueles números, nem fotos. — Depois, voltou atrás e afirmou que o “número oficial” era 70 mil.

Vivia-se, em 2019, uma situação inusitada: — Pela primeira vez, em décadas, a PM-DF não avaliou a multidão presente à posse de Bolsonaro — e o único “número” era o fornecido pelo GSI, já sob controle amigo.

Bastou o GSI “avaliar” 115 mil pessoas na posse de Bolsonaro, para superar as 71 mil “revisadas” da posse de Lula — o que levou o assunto para a mitologia.

Voltar à real é preciso — e hoje as ferramentas estão acessíveis a todos.

  • Ver “A guerra dos números” (I, II, III), adiante

Dois vídeos de 2003 e um vídeo de 2019 permitem sair da numerologia, para imagens bem documentadas — e fáceis de comparar — cobrindo as duas posses, momento a momento.

  • Ver “Posse presidencial” (I, II, II), adiante

Você pode substituir o palavreado abstrato pelo GoogleEarth (o GE Web ou o GE Desktop), por exemplo — e medir as áreas realmente ocupadas, em vários momentos, pela sequência das imagens.

Feito isso, resta avaliar “quantas pessoas por metro quadrado” — em cada área, e em cada momento.

Nenhuma imagem me convence de mais de “1 pessoa / m²”, nas aglomerações dos últimos 20 anos — fartamente documentadas desde o advento da internet e das câmeras digitais — e mesmo com essa densidade, a meu ver, é mais provável superestimar do que subestimar o público, em espaços tão amplos.

Mas, cada um pode tirar suas próprias conclusões.

Largura e extensão do canteiro central da Esplanada dos Ministérios e vias N1 e S1

A área do canteiro central da Esplanada (nº 3 a 6) é de 200.000 m² — o equivalente a 20 hectares — ou 18,5 campos de futebol:

  • 1.000 metros de extensão plana (ininterrupta), da via L2 até a Alameda de acesso ao Congresso Nacional — que é um caso à parte
  • 200 metros de largura do canteiro central — de meio-fio a meio-fio

Canteiros centrais da Esplanada, da Rodoviária à Praça dos Três Poderes

Para um cálculo das áreas parciais — sem as travessas intermediárias:

Canteiro nº 3    100 m × 200 m  =   20.000 m²
Canteiro nº 4    380 m × 200 m  =   76.000 m²
Canteiro nº 5    400 m × 200 m  =   80.000 m²
Canteiro nº 6     75 m × 200 m  =   15.000 m²
    -----  via  L2   -----
Canteiro nº 7     75 m × 200 m  =   15.000 m²
Canteiro nº 8    385 m × 200 m  =   77.000 m²
    ----------------------
Via N1         1.000 m ×  20 m  =   20.000 m²
Via S1         1.000 m ×  20 m  =   20.000 m²

As pistas N1 e S1 têm 20 metros de largura — o que dá 20.000 metros quadrados (cada), da L2 até a Alameda dos Estados — porém é rara a ocupação simultânea do canteiro central + via N1 + via S1:

  • Em um show, festa ou comício, as pessoas se aglomeram no canteiro central
  • Em uma passeata, as pessoas se concentram em uma das pistas — ou em meia-pista, nos dias úteis
  • Para assistir a um desfile, as pessoas se aglomeram perto do meio-fio, dos 2 lados da pista

Além disso, a ocupação das vias N1 ou S1 costuma ser dinâmica. — A marcha pode começar no Ginásio Nilson Nelson (a 3 km) ou no Museu (junto à L2) — e é preciso verificar a extensão ocupada em diferentes momentos.

Alameda dos Estados e gramado do Congresso Nacional

O Congresso Nacional tem certa “soberania” sobre seu gramado frontal, com extensão média de +/- 160 metros, da Alameda dos Estados até os espelhos d’água — e largura de 170 metros com inclinação suave, na parte central — ou 200 metros, incluindo as laterais mais íngremes e as faixas planas junto às vias N1 e S1.

Gramado inclinado do Congresso Nacional

A área ocupada pode ser, portanto, de 27.000 m² — ou de até 32.000 m² — mas é improvável que uma multidão mantenha a densidade de 1 pessoa / m² nas laterais mais íngremes.

Das áreas próximas, só se aproveitam as beiradas, pois quem fica alguns passos atrás já não vê o que se passa nesse “anfiteatro”.

  • Em 2003, a “revisão” encomendada pela Folha de S. Paulo à Defesa Civil do DF citou uma “área total” de 296 mil m² para a “Esplanada” — o que exigiria incluir também esses trechos das vias N1 e S1, dos dois lados do Congresso.

Praça dos Três Poderes

A Praça dos Três Poderes tem cerca de 30.000 m² — considerando as barreiras móveis que isolam o Supremo Tribunal Federal (STF), há alguns anos.

Descida da S1, da Esplanada para os Três Poderes, e barreiras do STF

Seria trabalhoso descontar pequenos espaços dentro da Praça — como a base do Museu JK, o acesso ao Espaço Lúcio Costa, o Centro de Turismo (antiga Casa de Chá) — e algumas estruturas eventuais, erguidas de ocasião.

Áreas verdes do Congresso junto à praça dos Três Poderes

Existem áreas próximas, como as palmeiras da Câmara, um gramado junto ao espelho d’água, e o gramado do Senado, que oferecem algum espaço — mas nem todas “aparecem na foto”, ou não oferecem boa visão / audição do que se passa na rampa e no Parlatório do Palácio do Planalto, por exemplo.

Gramados junto à Praça dos Três Poderes

No cálculo acima, deixei de lado as palmeiras da Câmara (eventualmente ocupadas pelos Dragões da Independência), porque não são bom local para ver / ouvir o que se passa no Parlatório do Palácio do Planalto. — A tendência é esta área de 6.700 m² ser ocupada em menos da metade, junto ao meio-fio.

Bloqueio na Praça dos Três Poderes diante do Palácio do Planalto, em 2003

Em alguns casos, barreiras temporárias isolam uma área considerável, junto à via N1, diante do Palácio do Planalto — como em Agosto 2003 — o que reduz a área ocupável para algo próximo a 25.000 m².

Para o cálculo das áreas parciais:

Gramado do Congresso      160 m × 200 m  =   32.000 m²
Praça dos Três Poderes    140 m × 210 m  =   29.400 m²
Gramados junto à Praça                        6.700 m²

Índice

  • Outras áreas
  • Acessos à Esplanada
  • Posse presidencial (I) - na Esplanada
  • Posse presidencial (II) - no Congresso
  • Posse presidencial (III) - na Praça dos Três Poderes
  • Desfile no gramado da Esplanada
  • A guerra dos números (I)
  • A guerra dos números (II)
  • A guerra dos números (III)
  • Nunca antes nessa Esplanada
    • Programação
  • Sol / mormaço e muita água
  • Referências
    • Vídeos
  • Ferramentas

Outras áreas

Limites do terrapleno da Esplanada e Praça dos Três Poderes

Todas essas áreas fazem parte de um terrapleno (aterro artificial), delimitado por quedas verticais de 3 a 8 metros em todo seu perímetro — com exceção da via L2, delimitada por rampas gramadas, bastante íngremes.

Calçadão sombreado por árvores ao longo dos ministérios

Excluí do cálculo o gramado e o calçadão ao lado dos ministérios — única área mais sombreada, com grandes árvores — pois só são ocupados para assistir a algum desfile em uma das pistas (N1 ou S1).

Neste caso, a soma das multidões dos 2 lados dificilmente ultrapassa a que caberia na própria pista (20 metros de largura) — pois quem fica 10 metros atrás do meio-fio já não consegue ver quase nada.

Estacionamentos e Anexos dos ministérios, junto à via N2 (em nível inferior)

Também excluí do cálculo os estacionamentos “entre” os ministérios e “atrás“ deles, pois não têm significado em qualquer manifestação. — Quem fica ali, não vê, não é visto, não participa, não se manifesta. — Aliás, são áreas em geral ocupadas pela PM, como base de operações, e alguns agentes dos ministérios.

Os estacionamentos “atrás“ dos ministérios ocupam o “teto” de suas garagens subterrâneas — servidas em nível inferior pelas vias N2 e S2.

Escada para o desnível entre a Esplanada e a via N2, rebaixada

Em alguns locais, existem escadas para o desnível entre a Esplanada dos Ministérios e as vias inferiores N2 / S2 — mas não atenderiam a grandes multidões.

Rampa para automóveis entre a Esplanada e a via inferior S2

A maioria dos ministérios têm alguma rampa para veículos entre o terrapleno (Esplanada) e as vias rebaixadas N2 / S2 — em geral privativas, ou bloqueadas.

Acessos à Esplanada

Desnível (muro) entre a Praça dos Três Poderes e o estacionamento inferior

Vale repetir que a Esplanada e a Praça dos Três Poderes ocupam um terrapleno (aterro artificial), delimitado por quedas verticais de 3 a 8 metros de altura, ao norte (via N2), a leste (bosque da bandeira) e ao sul (via S2).

A Praça dos Três Poderes fica em um terrapleno inferior ao da Esplanada — por isso, o desnível em relação ao “bosque da bandeira” é um muro de “apenas” 3 metros de altura (1.058 m - 1.055 m de altitude, segundo o GoogleEarth Web). — Parece pouco, mas é melhor não tentar.

E não se anime com a palavra “estacionamento”, pois nos grandes eventos fecham-se todas as vias próximas.

Limite vertical do terrapleno da Esplanada, atrás da Catedral (via S2)

O desnível é bem maior na Esplanada, propriamente dita — 7 metros (1.981 m - 1.074 m) entre a Catedral e a via S2, que dá acesso às garagens e Anexos dos ministérios, Câmara, STF, PGR, TCU etc. do lado sul.

Rampa gramada na passagem inferior da via L2

Só na direção da Rodoviária, o terrapleno da Esplanada é limitado por uma rampa gramada (1.080 m - 1.075 m de altitude), bastante íngreme. — A rapaziada talvez ache bonito descer e subir por ali — mas não é prático para milhares de pessoas.

Restam, portanto, apenas 2 acessos à Esplanada dos Ministérios — os viadutos das vias N1 e S1 sobre a via L2 — a serem alcançados a pé, desde a Rodoviária (servida por linhas regulares de ônibus, Metrô, estacionamentos), em uma caminhada de mais de 700 metros.

Vir de outros setores próximos (Bancário, de Autarquias) implica em caminhadas maiores, com subidas e descidas — para chegar a esses mesmos 2 pontos.

Barreira e revista em bolsas e mochilas no viaduto N1 sobre a L2 em 2017

São os pontos naturais para revista no conteúdo de bolsas e mochilas.

Posse presidencial (I) - na Esplanada

(V1: 5 min) - Público aglomerado próximo à Catedral, em 2003

Dois vídeos com roteiro quase igual permitem uma comparação razoável das multidões nas posses de 2003 e 2019 — enquanto um terceiro vídeo mostra o desfile posterior, que só houve na 1ª posse de Lula — e qualquer um pode conferir, sem depender de “avaliações” ou palavreado técnico:

  • V1, em baixa resolução - Um vídeo de 3 horas 12 minutos da Rede Globo, cobrindo a 1º posse de Lula (2003), da Catedral até a a passagem da faixa presidencial, no Parlatório do Palácio do Planalto. — Não inclui o show dos artistas (ao meio-dia), o discurso no Parlatório (no final da tarde), nem o desfile posterior na Esplanada.
    • V3, em baixa resolução - Um vídeo de 32 minutos do SBT, com a parte final da 1ª posse de Lula (2003) — do final do discurso na Praça dos Três Poderes ao desfile em zig-zag pelo canteiro central da Esplanada, até a Catedral. — Começa +/- às 18:20 (Horário de Verão = 17:20 no horário normal).
  • V2, em maior resolução - Um vídeo de 2 horas 49 minutos da TV Senado, cobrindo a posse de Bolsonaro (2019), da Catedral até o Palácio do Planalto — passagem da faixa presidencial e discurso.

(A diferença de resolução deve-se à evolução da TV analógica para a TV digital, financiada pelos governos Lula e Dilma. — As imagens são geradas por um pool de emissoras, e cada uma escolhe o que vai transmitir).

O primeiro vídeo (V1, acima) começa com a multidão concentrada nas proximidades da Catedral — onde Lula entraria no Rolls Royce, para se deslocar até o Congresso Nacional — e ao longo da via S1, para acompanhar o trajeto.

A aglomeração não seguia nenhum desenho regular. Havia pessoas dos 2 lados da via S1, desde muito antes da Catedral. — No viaduto sobre a L2, a multidão invadia a pista dos 2 lados, por falta de espaço na calçada estreita. — À medida em que o carro avança, a multidão se fecha atrás dele, ocupando a via S1 por quase 1 km.

(V1: 18 min)- Deslocamento da multidão com o Rolls Royce presidencial

Quando o Rolls Royce entrou na Alameda dos Estados, a maior parte da multidão já ocupava a via S1, ao longo do trajeto percorrido. — Outra aglomeração ocupava um triângulo do canteiro central nº 3, junto à Alameda — enquanto o gramado do Congresso ainda estava praticamente vazio.

(V2: 4m ~ 4m 30s) - Pequeno público a 50 metros, atrás de tapumes e barreiras

As câmeras da TV Senado não registraram público perto da Catedral, para ver a partida do Rolls Royce com Bolsonaro.

O público só podia se mover pelo canteiro central, vedado por tapumes — e mesmo ali, foi mantido à distância.

“Muitos” optaram por olhar da Rodoviária (Foto: Bianca Marinho / TV Globo)

A imprensa registrou que “muitas pessoas” preferiram acompanhar o desfile de longe, do alto da Rodoviária — a 1 km da Catedral, ou a 2 km do Congresso — e sem nenhuma visão da Praça dos Três Poderes.

(V2: 6m 11s) - Aproximação à pista, só a partir do primeiro ministério

Só na altura do primeiro ministério, terminavam os tapumes e o público podia se aproximar da via S1 (mas não do meio-fio). — É a partir desse ponto que se vê alguma aglomeração — só do lado do gramado.

(V2: 6m 42s) - Aglomeração no retângulo nº 3

No restante da Esplanada, nota-se um início de aglomeração no canteiro nº 3 — que mais tarde será reforçada pelos que estiveram ao longo do percurso.

O cercadinho ao norte do gramado do Congresso ainda estava vazio. — Não tenho indicações de como foi a admissão dos que movimentaram para lá, pois teriam de atravessar a Alameda dos Estados.

Posse presidencial (II) - no Congresso

(V1: 22 min) - a multidão invade o gramado do Congresso

No vídeo da posse de Lula (2003), assim que o Rolls Royce chegou à Alameda dos Estados, em poucos minutos a multidão ocupou o gramado do Congresso Nacional.

(V1: 24 min) - pessoas se jogam na água

Pessoas jogam “presentes” para Lula. — Uma moça se joga no carro em movimento e consegue abraçá-lo. — Pessoas se jogam no espelho d’água para chegar mais perto. — A segurança mal sabia o que fazer.

(V1: 26 min) - a multidão ocupa o gramado íngreme junto à via N1

Pelo que se vê no vídeo, boa parte dessas pessoas acompanharam o desfile de Lula no Rolls Royce desde a Catedral — alguns, subindo nas poucas árvores ao longo do trajeto, para descer de novo em seguida — e muitas, correndo para chegar primeiro ao lugar seguinte do trajeto.

(V1: 2h 5m) - público no gramado do Congresso à espera da saída de Lula para o Planalto

Após 1 hora 30 minutos de permanência de Lula no Congresso Nacional, o público no gramado frontal estava “estabilizado” — com alguns espaços vazios, inclusive um retângulo reservado aos canhões para a salva de tiros. — A concentração é maior junto ao espelho d’água, e ao longo das vias por onde o Rolls Royce deveria seguir para o Palácio do Planalto (do lado direito da imagem).

Os canteiros nº 3 a 5 da Esplanada estavam quase vazios, vendo-se ao fundo o palco montado junto à via L2 (próximo à Catedral) para o show dos artistas.

(V1: 2h 30m) - Seguranças empurram o Rolls Royce na saída da garagem do Senado

Quando Lula sai do Congresso, acontecem 2 coisas que confundiram e dispersaram a multidão: — O Rolls Royce toma um atalho imprevisto, sem dar tempo de a maior parte da multidão se deslocar para a Praça dos Três Poderes; — e mais tarde, Lula abandona o Parlatório do Palácio do Planalto por mais de 30 minutos, em um gesto de gentileza a Fernando Henrique Cardoso, enquanto o povo e os chefes de Estado esperavam sua volta para ouvir o discurso de posse.

(V1: 2h 29) - Multidão ainda espera Lula na Alameda e na via N1

Pela contagem de tempo do Vídeo nº 1 (V1):

2h 27m - Enquanto passa a Esquadrilha da Fumaça (após a salva de 21 tiros da Artilharia), o Rolls Royce com Lula desce para a garagem do Senado e segue pela via N2 até a garagem do Planalto — em vez de subir para a Alameda dos Estados e descer pela via N1, onde era esperado pelo público.

2h 28m - Alexandre Garcia se dá conta da mudança de trajeto e começa a especular sobre o atalho que “provavelmente” seria utilizado.

2h 29m - A maior parte do público presente no gramado do Congresso, na Alameda e na via N1 ainda não se moveu.

(V1: 2h 31m) - Multidão do outro lado do Congresso desce para os Três Poderes

2h 31m - Grande número de pessoas que estavam na via S1 — portanto, fora do percurso previsto — se adiantam e descem para a Praça dos Três Poderes.

2h 33m - Lula chega ao Palácio do Planalto.

2h 38m - Lula já recebeu a faixa presidencial de Fernando Henrique. — Muitas pessoas ainda estavam a caminho da Praça dos Três Poderes (pela S1). — Não há imagens de quando a maior parte das pessoas no gramado do Congresso se deram conta da mudança e começaram a se mover (ou não) para os Três Poderes.

2h 42m - Lula desce do Parlatório para acompanhar Fernando Henrique Cardoso até uma saída discreta (não pela rampa) — e não volta para falar ao povo que estava na Praça, durante os 30 minutos finais do vídeo.

Apenas canhões no gramado do Congresso, na posse de Bolsonaro

Na posse de Bolsonaro, o gramado do Congresso permaneceu quase inteiramente bloqueado — ocupado pelos canhões para a salva de tiros. — O público ficou confinado em 2 retângulos pequenos (ver imagem abaixo); e para lá da Alameda dos Estados (canteiro nº 3 e via N1).

(V2: 1h 8m) - Público confinado a 2 cercadinhos no gramado do Congresso e para lá da Alameda

Nessa tomada (acima), a abertura angular já permite ver os 2 cercadinhos na extremidade das laterais do gramado do Congresso.

(V2: 1h 50m) - Câmera do alto dá uma visão ampla do público diante do Congresso

Finalmente, uma câmera do alto do Anexo I do Senado oferece uma visão ampla do público, contido para lá da Alameda dos Estados — ocupando menos da metade do canteiro nº 3 e um curto pedaço da via N1.

(V2: 2h 5m) - Um close do cercadinho norte, visto do alto

Outra imagem do alto, em zoom, permite calcular a área do cercadinho em 80 m × 30 m = 2.400 m² — mas se a densidade fosse de 1 pessoa / m², não seria possível ver tanta grama entre as pessoas.

(V2: 2h 7m) - Público retido no gramado do Congresso. Bolsonaro acena para um tapume

Quando o presidente empossado segue para o Planalto pela via N1, o público fica retido no cercadinho do gramado do Congresso — e nas barreiras para lá da Alameda dos Estados.

(V2: 2h 7m) - Nenhum público dos dois lados da via N1

Não há público em nenhum dos lados da via N1 — da Alameda dos Estados até a esquina da Praça dos Três Poderes. — Nenhum deslocamento de público entre o Congresso Nacional e a Praça dos Três Poderes: eram públicos estanques.

Posse presidencial (III) - na Praça dos Três Poderes

Praça dos Três Poderes na posse de Lula em 1º Janeiro 2003

Na foto Lula subindo a rampa do Palácio do Planalto (acima), pode-se ver o público até mais ao fundo — mas a pequena abertura angular oculta a largura total da Praça dos Três Poderes. — Esse ângulo pode iludir um pouco.

(V1: 2h 17m) - Multidão na Praça (esq.) e nos gramados do Senado e da Câmara (dir.)

Há muitas indicações de que a Praça não estava tão lotada quanto parece, pois boa parte do público se espalhava pelos gramados da Câmara e do Senado — e outra parte, bem maior, não teve tempo para descer desde o gramado do Congresso, nos escassos 5 ou 6 minutos do atalho tomado pelo Rolls Royce.

Acima: - Aglomeração nos gramados da Câmara e do Senado (dir.), junto à Praça dos Três Poderes (esq.), antes de Lula sair do Congresso.

(V1: 2h 28m) - Densidade da multidão na Praça, quando Lula saía do Congresso

Acima - Densidade da multidão na Praça dos Três Poderes, no momento em que o Rolls Royce entra pela garagem do Senado para chegar mais rápido ao Planalto.

(V1: 2h 38m) - Tomada de câmera do alto, na passagem da faixa presidencial

Acima: - Por poucos segundos, a TV Globo exibiu imagens tomadas do alto, quando Lula se preparava para receber a faixa presidencial de Fernando Henrique. — Há uma concentração razoável de pessoas “nas primeiras filas” da Praça dos Três Poderes, mas não tanto, logo atrás. — Imagem analógica meio borrada.

Mais tarde (V1: 2h 55m), Alexandre Garcia locuta: “Agora, imagens de helicóptero” — mas não diz se eram ao vivo, ou VT feito mais cedo. — O sol já ia baixo, e não sei se as pessoas ainda precisavam entrar no espelho d’água diante dos Três Poderes, para aliviar o calor. — Mas é certo que o público estava disperso naquele momento, após Lula e FHC saírem do Parlatório.

(V3: 0 min) - Público na Praça dos Três Poderes ao final do discurso de Lula

É preciso relacionar o “tempo” de cada vídeo com o horário real. — O vídeo do SBT faz isso — mas começa bem depois do final do vídeo da Globo.

Aos 10 minutos do vídeo (V3: 10 min), quando Lula partia do Palácio no Rolls Royce para o desfile em zig-zag pelo canteiro central da Esplanada, Hermano Henning informa que eram 18:30 (Horário de verão = 17:30 no horário normal).

Acima: - Público nas primeiras filas da Praça dos Três Poderes, no momento em que Lula termina seu discurso no Parlatório. — A julgar pela informação de Hermano Henning, seriam cerca de 18:20 (17:20 no horário normal).

Praça dos Três Poderes na posse de Bolsonaro, 1º Janeiro 2019

A foto do Poder360 (acima), com maior abertura angular, oferece 2 informações ausentes na foto “equivalente” da posse de Lula: — (a) Visão bem mais ampla das primeiras fileiras de pessoas junto ao meio-fio; e (b) A visão de grande espaço vazio ao fundo, em especial à esquerda.

(V2: 1h 5m ~ 2h 40m) Público sem alteração na Praça dos Três Poderes

O público presente à Praça dos Três Poderes para a posse de Bolsonaro permaneceu praticamente inalterado por mais de 1 hora 30 minutos. — Nenhuma imagem mostra pessoas se deslocando.

Do lado esquerdo, o público ocupa cerca de 80 metros, da via N1 até pouco atrás da estátua dos Candangos, e pouco antes do início da antiga Casa de Chá.

(V2: 1h 5m) - Público nos Três Poderes para a posse de Bolsonaro

Do lado direito, cerca de 130 metros, até o Museu JK.

A média é de 105 metros desde a via N1 — e a frente ficou limitada a 125 metros — o que dá uma área ocupada de cerca de 13.000 m².

(V2: 2h 9m) - Gramado do Senado vazio na Praça dos Três Poderes

Nenhum público nos gramados do Senado e da Câmara ou nas vias adjacentes.

Público na praça dos Três Poderes para a posse de Bolsonaro

Uma foto de Adriano Machado (Reuters), publicada às 17:52 (16:52 pelo horário normal), pelo G1 Globo, resume todas essas observações. — A sombra bem nítida do Anexo I do Senado permite calcular que foi perto das 17:50 (16:50).

Nenhum público na nesga de Praça do lado de lá da via proveniente do STF.

Desfile no gramado da Esplanada

(V3: 12 min) - Multidão sobe a N1 com Lula para o desfile na Esplanada

É mais difícil avaliar o público em torno de Lula, a partir do momento em que o Rolls Royce sobe a via N1, do Planalto para a Esplanada — onde desfila em zig-zag pelo canteiro central, até a Catedral de Brasília. — As áreas ocupadas são irregulares; e quanto mais se afasta do Anexo I do Senado, mais baixo é o ângulo da câmera.

Acima: - O público da Praça dos Três Poderes e dos gramados próximos acompanha o Rolls Royce, ocupando as laterais da via N1 — e a própria via, atrás do carro.

(V3: 16 min) - Início do desfile em zig-zag no gramado da Esplanada

O público se desloca o tempo todo, à medida em que o Rolls Royce faz seu zig-zag pelo canteiro central da Esplanada — e não existe “geometria” que facilite uma avaliação do número de pessoas — correndo em todas as direções.

(V3: 20 min) - Aglomerações na Esplanada e no espaço desde a Rodoviária

Além das aglomerações ao longo do zig-zag — e das pessoas que se deslocam o tempo todo, para chegar ao trecho seguinte — havia uma aglomeração de barracas para lá da via L2.

(V3: 28 min) - Público ainda voltando dos Três Poderes para a Esplanada

A câmera do alto do Anexo I do Senado mostra que, quando Lula chegou de novo à Catedral, muitas pessoas ainda voltavam da Praça dos Três Poderes para a Esplanada, pelas vias N1 e S1.

Essa desfile em zig-zag não tem correspondência na posse de Bolsonaro, em 2019.

A guerra dos números (I)

Folha questiona os números do público na posse de Lula, já em 2003

Apenas 3 semanas depois da 1ª posse de Lula, a Folha de S. Paulo questionou os números divulgados por toda a “grande mídia” — inclusive ela mesma — quanto ao público presente ao evento.

Começou por resumir o que se havia publicado:

A Folha afirmou haver cerca de 150 mil pessoas, com base em informações da Polícia Militar. A PM foi alterando suas estimativas ao longo do dia. Logo após o almoço, falava em 70 mil. No final da tarde, chegou aos 150 mil.

"O Globo" registrou na sua primeira página a presença de 200 mil pessoas, segundo "os organizadores". Nas páginas internas, atribuía aos organizadores a estimativa de 150 mil a 200 mil, e, segundo a PM, 70 mil — sem especificar o horário em que esse número da polícia havia sido coletado. Para "O Estado de S. Paulo", a festa "reuniu mais de 200 mil pessoas", dando como fonte a PM.

Para “arbitrar”, a Folha de S. Paulo resolveu submeter à Defesa Civil do DF “fotos aéreas da Esplanada” nos “horários de maior concentração de público” — às 15:30, “quando Lula saiu da Câmara” (V1: 2:20 ~ 2:27) — e às 18:15, quando Lula falava do Parlatório (minutos antes de V3: 0:00).

  • O segundo horário é compatível com o indicado por Hermano Henning no vídeo do SBT (V3) — mas o primeiro precisa ser verificado. — O programa oficial divulgado pela Agência Brasil previa a saída do Congresso às 15:40, mas Alexandre Garcia apontava um atraso de (meia hora?) no roteiro previsto.

Os técnicos da Defesa Civil fixaram-se nas 2 áreas, nesses 2 horários diferentes, e chegaram a um “público total” de 71.310 pessoas — das quais, 63.230 “na Esplanada”, às 15:30.

Teriam calculado a “área ocupada” na “Esplanada”, às 15:30, em nada menos que 296.521 m² — soma de todas as áreas, da L2 até o Congresso — o que sugere que o jornalista confundiu as explicações técnicas, pois o vídeo mostra a multidão concentrada nos 30.000 m² do gramado do Congresso, nas laterais daquele curto trecho da via N1 e na beirada da via S1.

Já para a Praça dos Três Poderes, calcularam 13.468 pessoas em uma área total de 32.835 m², às 18:15 — mas avaliaram que, às 15:30, havia apenas 60% disso — daí, a conta de 8.080 pessoas (60% de 13.468), para compatibilizar os horários.

Infelizmente, a Folha não lembrou de fazer o mesmo, no tocante à posse de Bolsonaro — o que impede de usar esse número em qualquer comparação.

Além do mais, essa conta tenta ser um “instantâneo” — um momento único, congelado — enquanto, em outros casos, a Folha considera, como “público total”, a soma de todos os que “passaram” por determinada área “ao longo da tarde”.

A guerra dos números (II)

DataFolha: - Reescrevendo a história

Em Março 2016, por exemplo, a Folha não hesitou em afirmar que o protesto pró-impeachment reuniu meio milhão de pessoas “na região da” Av. Paulista — notar o detalhe: “na região”, pois a Av. Paulista, propriamente dita, possui apenas cerca de 111.000 m² — mas a matéria, disponível hoje na web, não delimita, não diz a área, nem exibe fotos dessa “região”, a ser somada à Av. Paulista.

Em vez disso, exibe um infográfico — pelo qual, ficamos sabendo que o famoso comício pelas “Diretas Já” no vale do Anhangabaú, em Abril 1984, não contou com 1 milhão de pessoas, mas apenas 400 mil — o que não explica nada.

Os números são apresentados com termos técnicos abstratos — “quadrantes”, “georreferenciamento” etc. — e não com dados, desenhos, imagens.

Convém notar outro detalhe dentro da matéria — a ser lembrado, sempre que “DataFolha” for citada:

Diferentemente da PM, o Datafolha não usa imagens aéreas para contabilizar o número de manifestantes porque elas não possibilitam o cálculo do total de diferentes pessoas que compareceram ao longo da tarde [grifos do blog].

Pesquisadores do instituto percorreram a avenida e mapearam a concentração de manifestantes em setores da Paulista divididos em quadrantes. Ao mesmo tempo, manifestantes também foram questionados sobre há quanto tempo estavam no ato.

Segundo a Veja SP (Mar. 2015 ~ Dez. 2016) — excluindo “a região” — “O Datafolha considera (...) uma área de 116 000 metros quadrados da Paulista” (...):

Para o Datafolha, a ocupação máxima da avenida é de 948 000 pessoas ao mesmo tempo – o que, segundo eles, não ocorreu ontem. Para isso, era necessário que em toda sua extensão houvesse 7 pessoas por metro quadrado, algo semelhante a um metrô cheio em horário de pico [grifos do blog].

Outra vez, não demonstra — embora baste uma calculadora para ver que 116.000 m² × 7 = 812.000 (não 948.000) pessoas — e tampouco explica qual questionário permite avaliar quantas pessoas já se haviam retirado (para dar lugar a outras), “ao longo do” período considerado.

Nada é dito sobre como esses 30 pesquisadores (submersos na multidão) calculam quantas pessoas ocupam cada metro quadrado — embora todo o castelo de cartas repouse sobre este único dado. — O “georreferenciamento” só é usado para multiplicar a “estimativa de pessoas / m²”, feita pelos pesquisadores:

o Datafolha utiliza em casos como esse a área passível de ocupação do local pesquisado e a ocupação máxima (cerca de 7 pessoas por metro quadrado). Assim, eles determinam quantas pessoas por metro quadrado havia em cada local, refazendo a contagem de hora em hora e realizando entrevistas para saber há quanto tempo os presentes estavam ali. Após isso, é calculada a área ocupada por meio de georreferenciamento, resultado que é multiplicado pela estimativa de pessoas por metro quadrado.

Em 7 Setembro 2021, a Folha — agora, contra o golpismo — revela que:

Segundo o Datafolha, a lotação máxima do trecho Consolação-Paulista é de 1,5 milhão de pessoas — num cálculo intencionalmente superestimado, considerando 7 pessoas por metro quadrado [grifos do blog].

(Note que, agora, o “trecho” é “Consolação-Paulista”).

E confessa que a densidade de 7 pessoas / m² não acontece “ao ar livre”:

Para o Datafolha, 7 pessoas podem ocupar um metro quadrado, mas com pouca mobilidade, o que não ocorre em manifestações ao ar livre, por exemplo. O instituto usou como referência o manual de cálculo de multidões feito pelo CEPD (Centro de Estudos e Pesquisas de Desastres), da Prefeitura do Rio [grifos do blog].

A responsabilidade foi transferida para o Rio de Janeiro com sucesso.

E nada disso explica a revisão do público nas Diretas Já — excluída a hipótese de 30 pesquisadores enviados ao ano de 1984, pelo Túnel do Tempo — nem a “revisão” dos números na posse de Lula, com base em fotos aéreas, que agora já não servem para calcular muitidões.

A guerra dos números (III)

Blogs noticiam a maior posse do universo, em 2019

Às 19:05 (18:05) do dia 1º Jan. 2019, a Gazeta do Povo já tinha o número de “115 mil pessoas” na posse de Bolsonaro — o que seria maior do que a soma dos públicos nas posses de Lula e Dima. — No mesmo dia, o blog “Agência Caneta” elevou a posse de Bolsonaro à categoria de “a maior da história”.

Só quase 1 ou 2 horas mais tarde, às 19:55 (*), o portal UOL publicou o mesmo número de “115 mil pessoas” — porém, ressalvando que isto não superava o público presente à posse de Lula em 2003.

  • (*) O horário dessa publicação da Gazeta do Povo é “relativo” (UTC - fuso horário atual) — ao passo que o horário da publicação do UOL permanece “fixo”. — Ver “Ferramentas”, adiante.

Tanto a Gazeta do Povo quanto o UOL utilizaram a mesma foto, de Nelson Almeida (AFP), em zoom, fechado no único ponto de maior aglomeração, ao norte da Alameda dos Estados (ver V2: 2h 5m).

Durante 3 dias, a torcida pôde compartilhar à vontade a versão que melhor lhe conviesse — até que, no dia 4 Jan. 2019, a “plataforma jornalística Aos Fatos” tentou botar alguma ordem na bagunça, observando o óbvio: — Não é possível comparar números de 3 fontes diferentes, que utilizaram 3 “metodologias” totalmente diferentes:

  • Os números de 150 mil ~ 200 mil pessoas na posse de Lula em 2003 foram dados em diferentes horários, pela PM-DF — sempre utilizada como fonte, pela mídia, para eventos em Brasília. — “Aos Fatos” afirma que só a revista Época atribuiu à PM-DF o número de 200 mil pessoas, mas a “revisão” feita pela Folha registra que O Estado de S. Paulo também tinha atribuído à PM-DF “mais de 200 mil pessoas”.
  • O número de 71 mil pessoas na posse de Lula em 2003 foi dado, semanas depois, por uma análise de fotos, encomendada pela Folha de S. Paulo à Defesa Civil do DF — que não esteve lá para isso, no dia; e que nunca mais foi chamada a tratar disso, antes ou depois.
  • O número de “115 mil pessoas” na posse de Bolsonaro em 2019 foi dado pelo GSI — o gabinete de segurança, sob o comando de aliados políticos de Bolsonaro. — Nesse dia, pela primeira vez em décadas, a PM-DF não calculou o número de pessoas presentes.

Não deixa de ser gentileza, admitir uma “metodologia” do GSI. — Nem “Aos Fatos”, nem a Folha, criticou ou “revisou” esse número.

Por tudo que se vê nos vídeos de 2003 e 2019, a posse de Lula reuniu um público pelo menos 4 vezes maior, na Esplanada — independente de quaisquer “números” indicados por fontes diferentes, usando “metodologias” diferentes. — Quanto à multidão nos Três Poderes, é mais difícil comparar, pois em 2003 o público se espalhava por toda a praça e adjacências, enquanto em 2019 o público ficou parado, concentrado, “bem comportado”.

Outra coisa que fica patente, no texto de “Aos Fatos” é que, em 2019, a PM-DF deu 2 respostas diferentes: — Primeiro, que não tinha mais os números de 2003 — e em seguida, que o número “oficial” para 2003 era “70 mil pessoas” (o mais baixo que a mídia recebeu da PM-DF, após o show, e antes da chegada de Lula).

Nunca antes nessa Esplanada

Tenda da Feira Gastronômica e stands próximos (CB)

Para 1º Janeiro 2023, pela primeira vez, a Esplanada está sendo organizada para acolher com dignidade o público presente a uma posse presidencial — com uma tenda de 8 mil m² para abrigar o Praça de Alimentação do Festival Gastronômico, área de descanso com 6 mil cadeiras, e espaço para crianças.

Tendas de alimentação e, ao fundo, os palcos dos artistas (NDTV)

Nas proximidades da tenda principal, haverá mais 40 stands de alimentação, 15 de bebidas e 10 food trucks.

“Das 10h do dia 1º de janeiro às 3h30 do dia 2, serão oferecidos pratos e lanches preparados, prioritariamente, com alimentos orgânicos produzidos por pequenos agricultores da zona rural do Distrito Federal. — Água potável será oferecida gratuitamente em estações móveis da Caesb”.

A exposição “Brasil do Futuro” estará aberta no 1º andar do Museu da República.

Programação

  • 10:00 - O Cortejo do Futuro sai da Praça de Alimentação
  • 10:30 a 13:30 - Show dos artistas
  • 14:20 às 14:30 - Chegada de Lula e Alckmin à Catedral
  • 14:30 - Saída do cortejo com Lula e Alckmin da Catedral
  • 14:40 - Chegada de Lula e Alckmin ao Congresso Nacional
  • 16:05 - Cerimônia externa de honras militares
  • 16:20 - Ida de Lula e Alckmin para o Palácio do Planalto
  • 18:30 às 2:00 - Show de artistas

Sol / mormaço e muita água

Áreas “próximas” à Esplanada dos Ministérios

A Esplanada e a Praça dos Três Poderes são imensidões quase sem o alívio de uma sombra — e na virada do ano pode haver muito sol / mormaço. — Embora sujeito a pancadas de chuva, o ar ainda é muito mais seco do que na maior parte do Brasil.

  • Por isso, quem vem de fora deve ter o cuidado de ingerir muito líquido, mesmo que não sinta sede. — Leve copo plástico (haverá água).

Apesar do Festival Gastronômico, vale a pena levar algum lanche compacto (e não-deteriorável no calor), as distâncias a pé são enormes — e quem sair da Praça dos Três Poderes não poderá voltar após 12:30.

São esperadas 300 mil pessoas na Esplanada — mas só 30 mil serão admitidas na Praça dos Três Poderes — onde só poderão entrar até 12:30, o que significa 4 horas de espera, para ver o presidente Lula subir a rampa e discursar após 16:30.

  • Pensando no show noite a dentro, vale a pena levar agasalho — e talvez capa de chuva descartável, por ser mais leve e menos volumosa.

Providencie tudo de véspera, pois aos Domingos o comércio é fraco, perto da Rodoviária. — Padarias, mercados etc. só começam onde está marcado “Asa Sul / Asa Norte” (acima), a uns 3 km. — Há mais comércio na Asa Norte.

Lembre que, em 1º Janeiro 2023, nada será como antes. — Haverá revista de bolsas e mochilas — portanto, leve só o essencial, para evitar demoras ou contratempos.

Não serão permitidos — para segurança de todos os presentes:

  • Apontador a Laser ou similares;
  • Armas brancas ou qualquer objeto que possa causar ferimentos, mesmo que representem utensílios de trabalho ou cultural, a exemplo: tesouras, martelos, flechas, tacos, tacape, brocas, canivetes, etc;
  • Armas de brinquedo, réplicas, simulacros e quaisquer itens que possuam aparência de arma de fogo;
  • Barraca, tendas e similares de qualquer tamanho ou tipo não autorizados;
  • Drogas ilícitas, conforme a legislação brasileira;
  • Fogões e similares que utilizem gás e/ou eletricidade, desde que autorizados pelo CBMDF;
  • Fogos de Artifício e artefatos explosivos;
  • Mastros confeccionados com qualquer tipo de material para sustentar ou não bandeiras, cartazes, etc;
  • Dispositivos de choque elétrico;
  • Dispositivos sonoros como megafones e similares;
  • Substâncias inflamáveis de qualquer tamanho ou tipo

O site do Lula recomenda levar 4 coisas:

  • Copo plástico para beber água (que será distribuída)
  • Boné e protetor solar
  • Óculos de sol
  • Toalha

Hoteis e acampamentos “próximos” à Esplanada

As áreas para acampamento de caravanas costumam ser o estacionamento do Ginásio Nilson Nelson (ao lado do Estádio Mané Garrincha) — e o Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em alguns casos. — O Gabinete de Transição está organizando outras áreas de alojamento.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) faz mais algumas recomendações.

O Metrô-DF — que cobre a Asa Sul, Guará, Águas Claras, Taguatinga, Ceilândia e Samambaia — anunciou horários expandidos:

  • Sábado, 31 Dezembro — das 5:30 às 2:00 da madrugada — mas a partir das 23:30, só as estações Central (Rodoviária) e Terminal Ceilândia estarão abertas para embarque.
  • Domingo, 1º Janeiro — das 9:00 às 2:00 da madrugada — mas a partir das 22:00, só a Estação Central (Rodoviária) estará aberta para embarque.

Referências

Vídeos

Ferramentas

Camadas guardadas no GE Desktop

GE Desktop - Costumo usar o GoogleEarth “Desktop”, por puro hábito, embora de alguns anos para cá, ele venha perdendo várias funcionalidades. — Agora, a “altitude” (acima do nível do mar), indicada como “elev” (elevação) no canto inferior à direita, é sempre “zero” — e no Google Maps, também.

Em todo caso, é muito prático poder salvar inúmeros lugares, medidas e contornos em uma pasta “Esplanada” — para ter sempre à mão algumas distâncias, como a dos postes, por exemplo (21,4 metros ou seus múltiplos) — e a opção de ocultar ou exibir cada camada, com um clique.

Imagem dos Três Poderes em Janeiro 2019 no GE Desktop

Também é muito prático poder escolher entre sucessivas “imagens históricas” de cada local. — Imagens de “21 Janeiro 2019” tendem a ser mais fieis à realidade do terreno naquele momento.

Distância e elevação (altitude) do asfalto, no GE Web

GE Web - Para verificar as elevações do terreno e do teto dos prédios, tive de recorrer ao GoogleEarth “Web” (navegador) — que também é mais prático para medir distâncias e áreas — mas ainda não descobri como salvá-las, para não ter de fazer tudo de novo, caso precise outra vez.

Aliás, essas medidas aparecem em um retângulo preto, inamovível, que atrapalha a produção das imagens. — Ao fechá-lo, as medidas desaparecem.

Quanto à data das imagens, esqueça. — A única certeza é que todas foram feitas após 1º Jan. 1970: o início da “era do Unix”. — Parece que os desenvolvedores do GE Web não querem lidar com isso, no momento.

Elevação do Anexo I do Senado, no GE Web

Com isso, foi fácil medir a extensão da sombra do Anexo I do Senado, na foto de Adriano Machado (Reuters) — e a altura relativa do topo do prédio até o asfalto (1.152 - 1.059 = cerca de 93 metros) — para determinar o ângulo de elevação do sol naquele momento (cerca de 36º).

Aproveitei o recurso “medir área” para desenhar um triângulo — legendado no Gimp, mais tarde — para ilustrar o cálculo do ângulo de elevação do sol.

Hora aproximada da foto, pelo KStars

KStars - Recuando até 1º Jan. 2019 no KStars, pude verificar que a elevação do sol a 36º ocorreu perto das 17:00 — bem próximo da hora da publicação feita pelo portal G1 Globo, às 16:52 (17:52 pelo Horário de Verão, em vigor na época).

São números aproximados, pois adotei a faixa seccionada (no asfalto), um pouco à frente da sombra, e o GoogleEarth não favorece a exatidão. — Além disso, usei uma tábua trigonométrica simples, só de ângulos em números inteiros; — e verifiquei no KStars só as horas inteiras (das 13:00 até as 19:00).

Portanto, mesmo sem os dados Exif da imagem, pode-se saber que a foto não é de 2 ou 3 horas antes: — A publicação foi feita quase “em tempo real” — sem a demora de um motoqueiro “levar o Pendrive”.

Diferenças de “hora de publicação” entre 2019 e 2022

Horário de Verão - Em 2003 e 2019 vigorava o Horário de Verão — extinto só em Abril 2019 — e os relógios estavam 1 hora à frente da trajetória do Sol.

Isto vale para os horários da programação oficial, para as horas faladas durante os vídeos — mas não, necessariamente, para as páginas na internet.

O software gerenciador de conteúdo (CMS) do G1 Globo (acima) guardou a hora de publicação pelo “tempo universal” (UTC) — ISSUED: "2019-01-01T19:52:44.187Z" — mas exibe no fuso horário local (e atual) do internauta.

Em 2019, G1 Globo (acima) exibia “17:52” — e hoje exibe “16:52”. — A indicação original ainda pode ser vista nas capturas do Wayback Machine feitas na época.

A mesma coisa acontece com o CMS Wordpress utilizado pela Gazeta do Povo, que exibia “19:05” na época; e hoje exibe “18:05” — mas a publicação do UOL exibe até hoje a mesma hora “19:55” que exibia na época.

Luz difusa - Infelizmente, nessa época do ano, em Brasília, é muito comum o céu encoberto (alternando sol, mormaço, chuvas ocasionais) — com a luz solar direta dando lugar a uma luminosidade difusa, sem sombras definidas. — Por isso, boa parte das fotos das 2 posses não permite determinar a hora exata.

Cópias de referência - Imprimi em PDF as notícias da época, para guardar — e salvei no Wayback Machine (Internet Archive), para prevenir eventuais sumiços ou alterações (entre Novembro e Dezembro 2022, a matéria da revista Época, por exemplo, foi colocada sob paywall pelo portal G1 Globo). Estes são os links indicados nas Referências. — As fotos foram baixadas em separado.

Pelos mesmos motivos, baixei os 3 vídeos pelo yt-dlp (Youtube Download Plus).

Tratamento de imagens - Tratei a maior parte das imagens no Gimp, apenas para redução automática de infravermelho / ultra-violeta (Colours > Auto > White balance) — mas em alguns casos isso “esverdeava” a captura de vídeo, e optei por aumentar manualmente o brilho e o contraste (Colours > Brightness-Contrast).

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Publicado em 5 Nov. 2022. — Desenvolvido até 28 Dez. 2022.

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