sábado, 5 de novembro de 2022

Quantas pessoas cabem na Esplanada dos Ministérios?

Esplanada e suas pistas norte (N1) e sul (S1), da L2 à Alameda
(2003, ainda sem o Museu e a Biblioteca Nacional, à direita da via S1)

A resposta “simples” é que cabem 200.000 pessoas no canteiro central da Esplanada dos Ministérios — da via L2 até a Alameda dos Estados, diante do Congresso Nacional — na densidade de 1 pessoa por metro quadrado.

Largura e extensão da Esplanada dos Ministérios

Esse número se obtém pela multiplicação de:

  • 1.000 metros de extensão plana (ininterrupta), da via L2 até a Alameda de acesso ao Congresso Nacional — que é um caso à parte
  • 200 metros de largura do canteiro central — de meio-fio a meio-fio

totalizando 200.000 metros quadrados — o equivalente a 20 hectares — ou 18,5 campos de futebol.

Canteiros centrais da Esplanada, da Rodoviária à Praça dos Três Poderes

Para o cálculo das áreas parciais:

Canteiro nº 3    100 m × 200 m  =   20.000 m²
Canteiro nº 4    380 m × 200 m  =   76.000 m²
Canteiro nº 5    400 m × 200 m  =   80.000 m²
Canteiro nº 6     75 m × 200 m  =   15.000 m²
       -----   L2   -----
Canteiro nº 7     75 m × 200 m  =   15.000 m²
Canteiro nº 8    385 m × 200 m  =   77.000 m²
       ------------------
Via N1         1.000 m ×  20 m  =   20.000 m²
Via S1         1.000 m ×  20 m  =   20.000 m²

As pistas N1 e S1 têm 20 metros de largura — o que daria 20.000 metros quadrados (cada), da L2 até a Alameda dos Estados — porém é rara a ocupação simultânea do canteiro central + as 2 pistas:

  • Em uma passeata, as pessoas se concentram em uma das pistas (ida e volta) — ou, em alguns casos, meia-pista
  • Em um show, festa ou comício, as pessoas se aglomeram no canteiro central
  • Para assistir a um desfile, as pessoas se aglomeram perto do meio-fio

Além disso, a ocupação das vias N1 ou S1 costuma ocorrer em movimento. — Pode começar no Setor Esportivo (a 3 km) ou no Museu, junto à L2. — É preciso verificar a extensão do trecho ocupado em diferentes momentos da marcha.

Alameda dos Estados e gramado do Congresso Nacional

O Congresso Nacional detém certo grau de “soberania” sobre seu gramado frontal, que tem uma extensão média de +/- 160 metros, da Alameda dos Estados até os espelhos d’água — e uma largura de 170 metros com inclinação suave, nas partes centrais — ou 200 metros, incluindo as laterais mais inclinadas e as faixas planas junto às vias N1 e S1.

Anfiteatro de gramados inclinados no Congresso Nacional

A área ocupada pode ser, portanto, de 27.000 m² — ou de até 32.000 m² — mas é improvável que uma multidão mantenha a densidade de 1 pessoa / m² nas laterais mais íngremes.

Das áreas próximas, só se aproveitam as beiradas, pois quem fica alguns passos atrás já não vê o que se passa nesse “anfiteatro”.

Praça dos Três Poderes

A Praça dos Três Poderes tem cerca de 30.000 m² — considerando as barreiras móveis que isolam o Supremo Tribunal Federal (STF), há alguns anos.

Descida da S1, da Esplanada para os Três Poderes, e barreiras do STF

Seria trabalhoso descontar pequenos espaços dentro da Praça — como a base do Museu JK, a escada de acesso ao Espaço Lúcio Costa, o Centro de Turismo (antiga Casa de Chá) — e algumas estruturas eventuais, erguidas de ocasião.

Áreas verdes do Congresso junto ao desnível entre a Esplanada e os Três Poderes

Existem áreas próximas, como as palmeiras da Câmara dos Deputados, uma nesga de gramado junto ao espelho d’água, e o gramado do Senado, que oferecem algum espaço para alívio momentâneo — mas nem todas “aparecem na foto”, ou não oferecem boa visão / audição do que se passa na rampa e no Parlatório do Palácio do Planalto, por exemplo. — Na prática, compensam alguns vazios na Praça dos Três Poderes, para facilitar o cálculo.

Bloqueio na Praça dos Três Poderes diante do Palácio do Planalto, em 2003

Em alguns casos, barreiras temporárias também bloqueiam uma área considerável, junto à via N1, diante do Palácio do Planalto — como se viu nas manifestações contra a Reforma da Previdência em Agosto 2003 — o que reduz a área ocupável para algo próximo a 25.000 m².

Gramado do Congresso      160 m × 200 m  =   32.000 m²
Praça dos Três Poderes    140 m × 210 m  =   29.400 m²

Índice

  • Outras áreas
  • Acessos à Esplanada
  • Densidade e metodologias
  • Posse presidencial na Esplanada
  • Posse presidencial no Congresso
  • Posse presidencial na Praça dos Três Poderes
  • Desfile no gramado da Esplanada
  • A guerra dos números (I)
  • A guerra dos números (II)
  • A guerra dos números (III)
  • Sombra e água
  • Referências
    • Vídeos
  • Ferramentas

Outras áreas

Espaços do terrapleno da Esplanada e Praça dos Três Poderes

Todas essas áreas fazem parte de um terrapleno (aterro artificial), delimitado por quedas verticais de 3 a 8 metros em todo seu perímetro — com exceção da L2, delimitada por rampas de grama, bastante íngremes.

Calçadão sombreado por árvores ao longo dos ministérios

Excluí do cálculo o gramado e o calçadão ao lado dos ministérios — única área mais sombreada por grandes árvores — pois só são ocupados para assistir a algum desfile em uma das pistas (N1 ou S1).

Neste caso, a soma das multidões dos 2 lados dificilmente ultrapassa a que caberia na própria pista (20 metros de largura) — pois quem fica 10 metros atrás do meio-fio já não consegue ver quase nada.

Estacionamentos e Anexos dos ministérios, junto à via N2 (em nível inferior)

Também excluí do cálculo os estacionamentos “entre” os ministérios e “atrás“ deles, pois não têm significado em qualquer manifestação. — Quem fica ali, não vê, não é visto, não participa, não se manifesta. — Aliás, são áreas em geral ocupadas pela PM, como base de operações, e alguns agentes de segurança dos ministérios.

Os estacionamentos “atrás“ dos ministérios ocupam o “teto” de suas garagens subterrâneas — servidas em nível inferior pelas vias N2 e S2.

Escada para o desnível entre a Esplanada e a via N2, rebaixada

Em alguns locais, existem escadas para o desnível entre a Esplanada dos Ministérios e as vias inferiores N2 / S2 — mas dificilmente atenderiam a uma suposta multidão de 200.000 pessoas.

Rampa para automóveis entre a Esplanada e a via inferior S2

A maioria dos ministérios têm alguma rampa para veículos no desnível entre o terrapleno (Esplanada) e as vias rebaixadas N2 / S2 — em geral, como parte de suas garagens subterrâneas (privativas), e portanto fechadas ao público.

Nos poucos casos em que a rampa não faz parte das garagens, é comum a passagem ser vedada por cones e agentes de segurança. — Mas em dias de grandes eventos, ou manifestações políticas, tanto as vias superiores quanto as inferiores permanecem fechadas, portanto esqueça essas rampas.

Acessos à Esplanada

Desnível (muro) entre a Praça dos Três Poderes e o estacionamento inferior

Vale repetir que a Esplanada e a Praça dos Três Poderes ocupam um terrapleno (aterro artificial), delimitado por quedas verticais de +/- 3 a 8 metros de altura ao norte (via N2), a leste (bosque da bandeira) e ao sul (via S2).

A Praça dos Três Poderes fica em um terrapleno inferior ao da Esplanada — por isso, o desnível em relação ao “bosque da bandeira” é um muro de apenas uns 3 metros de altura (1.058 m - 1.055 m de altitude, segundo o GoogleEarth Web). — Parece pouco, mas é melhor não tentar.

E não se anime com a palavra “estacionamento”, pois nos grandes eventos (ou dias de manifestações) fecham-se ao trânsito todas as vias em torno da Esplanada e da Praça dos Três Poderes.

Limite vertical do terrapleno da Esplanada, atrás da Catedral (via S2)

O desnível é bem maior na Esplanada, propriamente dita — 7 metros (1.981 m - 1.074 m acima do nível do mar) entre a Catedral e a via S2, que dá acesso às garagens e Anexos dos ministérios, Câmara, STF, PGR, TCU etc. do lado sul.

Rampa gramada na passagem inferior da via L2

Só na direção da Rodoviária, o terrapleno da Esplanada dos Ministérios é limitado por uma rampa gramada de 5 metros de altura (1.080 m - 1.075 m de altitude), bastante íngreme. — A rapaziada talvez ache bonito descer e subir por ali — mas não é uma alternativa para milhares de pessoas.

Restam, portanto, apenas 2 acessos à Esplanada dos Ministérios — os viadutos das vias N1 e S1 sobre a via L2 — a serem alcançados a pé, desde a Rodoviária (servida por linhas regulares de ônibus, Metrô, estacionamentos), em uma caminhada de cerca de 700 metros.

Vir de outros setores próximos (Bancário, de Autarquias) implica em caminhadas maiores, ou com subidas e descidas — para chegar nesses mesmos 2 pontos.

Barreira e revista em bolsas e mochilas no viaduto N1 sobre a L2 em 2017

Basta que a PM faça barreiras nesses 2 viadutos e pergunte “nome e RG” — para que demore semanas, até que hipotéticas 200.000 pessoas consigam entrar na Esplanada dos Ministérios. — Se houver baculejo (revista) no conteúdo de cada bolsa e mochila, poderia demorar meses, até que inimagináveis 200.000 pessoas conseguissem entrar na Esplanada dos Ministérios, a conta-gotas.

Manifestantes chegando à Rodoviária, após marchar quase 2 km, em 2017

Foi o que se viu em 2017. — Boa parte dos manifestantes marcharam quase 3 km a pé, desde o Setor Esportivo (onde estavam acampados), até o viaduto da N1 sobre a L2 — onde foram submetidos à revista de bolsas e mochilas.

Manifestação limitada a uma área distante do Congresso, em 2017

Além disso, em 2017, a área “permitida” foi drasticamente limitada — bem longe do Congresso Nacional e da Praça dos Três Poderes.

Ocupação na via norte (N1) e vandalismo do lado sul, em 2017

A extensão da área “permitida” foi de apenas 900 metros — e a ocupação se limitou à via N1 — enquanto coisas estranhas aconteciam entre alguns ministérios do lado sul, área que estava praticamente deserta.

“Marcha dos 100 mil” (ruralistas) na Esplanada, em 1999

A permissão varia, claro — a depender de quem está no governo federal, no governo do DF — e de quem deseja ir à Esplanada dos Ministérios, fazer o quê.

Em 1999, por exemplo, os ruralistas da “Marcha dos 100 mil” puderam acampar junto à Esplanada dos Ministérios, nos espaços, então vazios, do Conjunto Cultural da República. — É verdade que, depois, foram multados em R$ 5.000,00 pelo Serviço de Limpeza Urbana, “por sujar área pública sem autorização”. — Menos de R$ 0,05 por cada um dos imaginários 100.000 manifestantes.

Marcha dos servidores contra a Reforma da Previdência (2003)

Em Agosto 2003, também não houve qualquer problema com sucessivas marchas dos servidores contra a Reforma da Previdência. — Nenhum cerceamento, e nenhum incidente.

Densidade e metodologias

Existem “metodologias” que consideram densidades “máximas” de até 4 pessoas / m² (cálculo tradicional nos anos 1980); ou de “até” 5 pessoas / m² (PM-SP); e de “até” 7 pessoas / m² (DataFolha) — como que se acotovelando em um elevador apertado — mas não sei se as normas permitem tanto, num elevador.

Isso pode acontecer, no máximo, na primeira fila junto ao meio-fio, para ver um desfile — mas quem está alguns passos atrás não tem motivo para isso.

Na real, multidões se expandem, como as moléculas de gás — pelo menos, até cada um dispor de um espaço cômodo, com seus parentes e amigos. — Menos do que isso, apenas sob pressão.

Fato é que 1 pessoa / m² pode ser considerado um “máximo” efetivo, em 99% das multidões dos últimos 20 anos, fartamente documentadas desde a popularização das fotos digitais e da internet — e mesmo isto, só em pequenas áreas junto aos palcos, caminhões de som etc. — com dispersão bem maior nas outras partes do espaço “ocupado”.

O mais objetivo é focar na superfície de cada área ocupada — um dado concreto, acessível a qualquer pessoa pelo GoogleEarth ou pelo Google Maps, para avaliar as imagens disponíveis na internet — e ignorar o palavrório “técnico” que, na maioria dos casos, não oferece mais do que cortinas de fumaça para números tirados da cartola (tanto para mais, quanto para menos).

Com essa base real, considere 1 pessoa / m² — e é mais provável superestimar do que subestimar a multidão.

Posse presidencial na Esplanada

(V1: 5 min) - Público aglomerado próximo à Catedral, em 2003

As áreas numeradas aqui (6, 5, 4, 3) também podem servir de base para avaliar ocupações localizadas, bem menores. — Para a via N1 ou a S1, a conta seria 20 m × 1.000 m = 20.000 m² — mas só se for ocupada desde o viaduto sobre a via L2 até a Alameda dos Estados, por exemplo.

Dois vídeos com roteiro quase igual permitem um nível razoável de comparação visual das multidões nas posses presidenciais — e um terceiro vídeo, com o desfile posterior, que só houve na posse de Lula:

  • V1, em baixa resolução - Um vídeo de 3 horas 12 minutos da Rede Globo, cobrindo os passos da 1º posse de Lula (2003), da Catedral até a primeira cerimônia no Parlatório do Palácio do Planalto (passagem da faixa). — Não inclui o show dos artistas (pela manhã), o discurso no Parlatório (no final da tarde), nem o desfile em zig-zag pelo gramado da Esplanada.
    • V3, em baixa resolução - Um vídeo de 32 minutos com a parte final da primeira posse de Lula (2003) — do final do discurso ao público na Praça dos Três Poderes ao desfile em zig-zag pelo canteiro central da Esplanada, até a Catedral.
  • V2, em maior resolução - Um vídeo de 2 horas 49 minutos da TV Senado, cobrindo os passos da posse de Bolsonaro (2019), da Catedral até as cerimônias no Palácio do Planalto. — Não inclui a ida posterior ao Itamaraty.

(A diferença de resolução parece refletir a evolução da TV analógica para a TV digital, já nos governos Lula e Dilma).

O primeiro vídeo (V1) mostra que uma multidão se concentrava perto da Catedral, onde Lula entraria no Rolls Royce aberto para se deslocar até o Congresso Nacional.

A aglomeração não seguia nenhum desenho geométrico. Havia pessoas dos 2 lados da via S1, desde muito antes da Catedral. — No viaduto sobre a L2, a multidão invadia a pista dos 2 lados, por falta de espaço na calçada estreita. — À medida em que o carro avança, a multidão se fecha atrás dele, ocupando a via S1.

(V1: 18 min)- Deslocamento da multidão com o Rolls Royce presidencial

Quando o Rolls Royce entrou na Alameda dos Estados, a maior parte da multidão já ocupava a via S1, ao longo do trajeto já percorrido. — Outra aglomeração ocupava um triângulo do canteiro central nº 3, junto à Alameda — enquanto o gramado do Congresso ainda estava praticamente vazio.

(V2: 4m ~ 4m 30s) - Pequeno público a 50 metros, atrás de tapumes e barreiras

As câmeras da TV Senado não registraram praticamente nenhum público perto da Catedral, para ver a partida do Rolls Royce com Bolsonaro.

Motivos para isso não faltaram. — Para entrar na Esplanada, as pessoas tinham de passar por revista de bolsas e mochilas. Estava proibido levar água, sombrinha ou carrinho de bebê, por exemplo. Frutas, só cortadas (nada de faquinha!); e só em saquinhos transparentes. — O público só podia se mover pelo canteiro central, fechado por tapumes; e mesmo ali, foi mantido à distância da Catedral. — Um caminhão de som alertava que atiradores (snippers) estavam posicionados no alto dos prédios. Funcionários do Palácio do Planalto foram advertidos para não mexerem nas persianas, sob risco de ser considerado movimento “hostil”.

Um deputado bolsonarista reclamou de excessos até no Congresso: — “Do meu gabinete ao Plenário, aqui, fui barrado três vezes”. — “Não vou dizer que invadiram porque foi autorizado, mas entraram em todos os gabinetes para fechar as persianas”.

A imprensa registrou que muitas pessoas preferiram acompanhar o desfile de longe, do alto da Rodoviária — a 1 km da Catedral, ou a 2 km do Congresso — e sem nenhuma visão da Praça dos Três Poderes.

Quem insistiu em ver a posse na Esplanada passou maus momentos, sob sol / mormaço forte. A maioria chegou pela manhã e, no final da tarde, os banheiros químicos estavam praticamente inutilizáveis. Em certo momento, acabaram os copos de água distribuídos pela Cia. de Águas e Esgotos de Brasília (Caesb), e não havia vendedores ambulantes (estavam proibidos). No final da tarde, as pessoas foram impedidos de sair dos cercadinhos durante 1 hora, até o presidente se deslocar para o Itamaraty. Muitas pessoas passaram mal e a PM fez um cordão para impedir que invadissem a barraca de atendimento médico.

(V2: 6m 11s) - Aproximação à pista, só após o primeiro ministério

Só na altura do primeiro ministério, terminavam os tapumes e o público podia se aproximar da via S1 (mas não do meio-fio). — É a partir desse ponto que se vê alguma aglomeração — só do lado do gramado.

(V2: 6m 42s) - Aglomeração no retângulo nº 3

No restante da Esplanada, nota-se um início de aglomeração no canteiro nº 3 — que mais tarde parece ser reforçada pelos que estiveram ao longo do percurso.

Posse presidencial no Congresso

(V1: 22 min) - a multidão invade o gramado do Congresso

No vídeo da posse de Lula (2003), assim que o Rolls Royce chegou à Alameda dos Estados, em poucos minutos a multidão ocupou o gramado do Congresso Nacional.

(V1: 24 min) - pessoas se jogam na água

Pessoas jogam “presentes” para Lula. — Uma moça se joga no carro em movimento e consegue abraçá-lo. — Pessoas se jogam no espelho d’água para chegar mais perto. — A segurança mal sabe o que fazer.

(V1: 26 min) - a multidão ocupa o gramado íngreme junto à via N1

Pelo que se vê no vídeo, boa parte dessas pessoas acompanharam o desfile de Lula no Rolls Royce desde a Catedral — alguns, subindo nas poucas árvores ao longo do trajeto, para descer de novo logo em seguida — e muitas, correndo para chegar primeiro ao lugar seguinte do trajeto.

(V1: 2h 5m) - público no gramado do Congresso à espera da saída de Lula para o Planalto

Após 1 hora 30 minutos de permanência de Lula no Congresso Nacional, o público presente no gramado do Congresso encontra-se “estabilizado”, com espaços vazios nas laterais e nas partes mais afastadas; e um retângulo reservado aos canhões para a salva de tiros. — A concentração é maior junto ao espelho d’água, e ao longo das vias por onde o Rolls Royce com Lula deveria seguir para o Palácio do Planalto (do lado direito da imagem).

Os canteiros nº 3 a 5 da Esplanada estavam quase vazios, vendo-se ao fundo o palco montado junto à via L2 (próximo à Catedral) para o show dos artistas.

(V1: 2h 30m) - Seguranças empurram o Rolls Royce na saída da garagem do Senado

Depois que Lula sai do Congresso, aconteceram 2 coisas que confundiram e dispersaram a multidão: — O Rolls Royce tomou um atalho imprevisto, que não deu tempo de a maior parte da multidão se deslocar do Congresso para a Praça dos Três Poderes; — e mais tarde, Lula abandonou o Parlatório do Palácio do Planalto por mais de 30 minutos, numa gentileza a Fernando Henrique Cardoso, enquanto o povo e os chefes de Estado esperavam sua volta para fazer o discurso de posse.

(V1: 2h 29) - Multidão ainda espera Lula na Alameda e na via N1

Pela contagem de tempo do Vídeo nº 1 (V1):

2h 27m - Enquanto passa a Esquadrilha da Fumaça (logo após a salva de 21 tiros da Artilharia), o Rolls Royce com Lula desce para a garagem do Senado e segue pela via N2 até a garagem do Planalto — em vez de subir para a Alameda dos Estados e descer pela via N1, onde era esperado pelo público.

2h 28m - Alexandre Garcia se dá conta da mudança de trajeto e começa a especular sobre o atalho que “provavelmente” seria utilizado.

2h 29m - A maior parte do público presente no gramado do Congresso, na Alameda e na via N1 ainda não se moveu.

(V1: 2h 31m) - Multidão do outro lado do Congresso desce para os Três Poderes

2h 31m - Grande número de pessoas que estavam na via S1 — portanto, fora do percurso previsto — começam a descer para a Praça dos Três Poderes.

2h 33m - Lula chega ao Palácio do Planalto.

2h 38m - Lula já recebeu a faixa presidencial de Fernando Henrique. — Muitas pessoas ainda estavam a caminho da Praça dos Três Poderes (pela S1). — Não há imagens de quando a maior parte das pessoas no gramado do Congresso se deram conta da mudança e começaram a se mover (ou não) para os Três Poderes.

2h 42m - Lula desce do Parlatório para acompanhar Fernando Henrique Cardoso até uma saída discreta (não pela rampa) — e não volta ao Parlatório para falar ao povo que estava na Praça, durante os 30 minutos finais do vídeo.

Apenas canhões no gramado do Congresso, na posse de Bolsonaro

Na posse de Bolsonaro, o gramado do Congresso permaneceu quase inteiramente bloqueado — ocupado pelos canhões para a salva de tiros. — O público ficou confinado em 2 retângulos pequenos (que não aparecem na imagem acima); e para lá da Alameda dos Estados (canteiro nº 3).

(V2: 1h 8m) - Público confinado a 2 cercadinhos no gramado do Congresso e para lá da Alameda

Nessa tomada da câmera da TV Senado (acima), a abertura angular permite ver os 2 cercadinhos na extremidade das laterais do gramado do Congresso.

(V2: 1h 50m) - Câmera do alto dá uma visão ampla do público diante do Congresso

Finalmente, uma câmera do alto do Anexo I do Senado oferece uma visão um pouco mais abrangente do público presente, contido para lá da Alameda dos Estados.

(V2: 2h 5m) - Um close do cercadinho norte, visto do alto

Outra imagem feita do alto permite calcular a área do cercadinho em 80 × 30 = 2.400 m² — mas se a densidade fosse de 1 pessoa / m², não seria possível ver tanta grama entre as pessoas.

(V2: 2h 7m) - Público retido no gramado do Congresso. Bolsonaro acena para um tapume

Quando o presidente empossado segue para o Planalto pela via N1, o público fica retido no cercadinho do gramado do Congresso — e nas barreiras para lá da Alameda dos Estados.

(V2: 2h 7m) - Nenhum público dos dois lados da via N1

Não há público em nenhum dos lados da via N1 — da Alameda dos Estados até a esquina da Praça dos Três Poderes. — O vídeo da TV Senado também não mostra nenhum deslocamento de público entre o Congresso Nacional e a Praça dos Três Poderes: eram áreas confinadas, estanques.

Posse presidencial na Praça dos Três Poderes

Praça dos Três Poderes na posse de Lula em 1º Janeiro 2003

Em uma publicação da página de Lula no Facebook (em 2016), o ângulo elevado permite ver o público até mais ao fundo, na foto da 1ª posse (2003) — mas a pequena abertura angular oculta a largura total da Praça dos Três Poderes.

É digna de nota a nitidez da imagem e a definição dos detalhes, apesar da luz difusa (céu encoberto: não há sombras) — mas esse ângulo pode iludir um pouco.

(V1: 2h 17m) - Multidão na Praça (esq.) e nos gramados do Senado e da Câmara (dir.)

Há muitas indicações de que a Praça não estava tão lotada quanto parece, pois boa parte do público se espalhava pelos gramados da Câmara e do Senado — e outra parte, bem maior, não teve tempo hábil para descer desde o gramado em frente ao Congresso, nos escassos 5 ou 6 minutos do atalho tomado pelo Rolls Royce.

Acima: - Aglomeração na nesga de gramados da Câmara e do Senado (dir.), junto à Praça dos Três Poderes (esq.), antes de Lula sair do Congresso.

(V1: 2h 28m) - Densidade da multidão na Praça, quando Lula saía do Congresso

Acima - Densidade da multidão na Praça dos Três Poderes, no momento em que o Rolls Royce entra pela garagem do Senado para chegar mais rápido ao Planalto. — Câmera, aparentemente, do alto do Anexo 1 do Senado.

(V1: 2h 38m) - Tomada de câmera do alto, na passagem da faixa presidencial

Acima: - Por poucos segundos, a TV Globo exibiu imagens tomadas do alto, quando Lula se preparava para receber a faixa presidencial de Fernando Henrique. — Há, sim, uma concentração razoável de pessoas “nas primeiras filas” da Praça dos Três Poderes, mas talvez não tanto, logo atrás. — Obs.: - Tive de incrementar o contraste e a claridade da imagem. Evitei filtrar o excesso de vermelho (UV / IV), como fiz em várias outras imagens, pois neste caso o filtro-padrão do Gimp (Colours > Auto > White balance) deixaria a imagem esverdeada.

Mais tarde (V1: 2h 55m), Alexandre Garcia locuta “agora, imagens de helicóptero” — mas não afirma que fossem “ao vivo”, ou se era algum VT feito mais cedo; nem se era da Globo ou de terceiros — e tenho dificuldade em garantir que sejam daquele momento. O sol já ia baixo, e não sei se as pessoas precisavam entrar no espelho d’água diante dos Três Poderes, naquele momento, para aliviar algum suposto calor. Outras imagens daquele momento não mostram ninguém no espelho d’água. — A falta de sombras definidas (céu encoberto: luz difusa) não permite avaliar os horários. — De qualquer modo, é certo que o público estava disperso naquele momento.

(V3: 0 min) - Público na Praça dos Três Poderes ao final do discurso de Lula

Falta correlacionar o “tempo” de cada vídeo com o horário real dos fatos. — O vídeo do SBT faz isso — mas começa bem depois do horário em que termina o vídeo da Globo; e não sei quanto tempo depois.

Aos 10 minutos do vídeo do SBT (V3: 10 min), quando Lula partia do Palácio do Planalto no Rolls Royce para o desfile em zig-zag pelo canteiro central da Esplanada, Hermano Henning informa que eram 18:30 — e o sol deveria se pôr por volta das 19:00 (de fato, às 18:47).

Acima - Pouco público na Praça dos Três Poderes, no momento em que Lula termina seu discurso no Parlatório. — A julgar pela informação de Hermano Henning, seriam cerca de 18:20.

Praça dos Três Poderes na posse de Bolsonaro, 1º Janeiro 2019

A foto do Poder360 (acima), com maior abertura angular, oferece 2 informações ausentes na foto “equivalente” da posse de Lula: — (a) Visão bem mais ampla das primeiras fileiras de pessoas junto ao meio-fio; e (b) A visão de grande espaço vazio ao fundo, em especial à esquerda — apesar do ângulo mais baixo.

(V2: 1h 5m ~ 2h 40m) Público sem alteração na Praça dos Três Poderes

O público presente à Praça dos Três Poderes para a posse de Bolsonaro permaneceu praticamente inalterado por mais de 1 hora 30 minutos. — Aliás, nenhuma imagem de pessoas entrando ou saindo: espaços confinados, estanques.

Do lado esquerdo, o público ocupa cerca de 80 metros, da via N1 até pouco atrás da estátua dos Candangos e pouco antes do início da antiga Casa de Chá.

(V2: 1h 5m) - Público nos Três Poderes para a posse de Bolsonaro

Do lado direito, cerca de 130 metros, até a metade do Museu JK.

A média é de 105 metros desde a via N1 — e a frente ficou limitada a 125 metros — o que dá uma área ocupada de cerca de 13.000 m².

(V2: 2h 9m) - Gramado do Senado vazio na Praça dos Três Poderes

Nenhum público nos gramados do Senado e da Câmara ou nas vias adjacentes.

Público na praça dos Três Poderes para a posse de Bolsonaro

Uma foto de Adriano Machado (Reuters), publicada às 16:52 daquele dia, pelo G1 Globo, resume todas essas observações. — Os dados Exif da foto se perderam no caminho, mas a sombra bem nítida dos Anexos I da Câmara e do Senado permite calcular que de fato foi pouco antes das 17:00. — De qualquer modo, os públicos permaneceram estanques, cada um em uma área, sem possibilidade de variação para mais ou para menos.

Nenhum público na nesga da Praça do lado de lá da via proveniente do STF.

Desfile no gramado da Esplanada

(V3: 12 min) - Multidão sobe a N1 com Lula para o desfile na Esplanada

É muito difícil qualquer avaliação do público em torno de Lula, a partir do momento em que o Rolls Royce sobe a via N1, do Planalto para a Esplanada — onde desfila em zig-zag pelo canteiro central, até a Catedral de Brasília. — As áreas ocupadas são irregulares; e não encontrei imagens verticais (ou quase verticais).

Acima: - O público da Praça dos Três Poderes e dos gramados próximos acompanha o Rolls Royce, ocupando as laterais da via N1 — e a própria via, atrás do carro.

(V3: 16 min) - Início do desfile em zig-zag no gramado da Esplanada

O público se desloca o tempo todo, à medida em que o Rolls Royce faz seu zig-zag pelo canteiro central da Esplanada — e não existe “geometria” que dê conta de facilitar uma avaliação do número de pessoas — que correm de todas as direções, para todas as direções.

(V3: 20 min) - Aglomerações na Esplanada e no espaço desde a Rodoviária

Além das aglomerações fixas ao longo do zig-zag a ser percorrido pelo Rolls Royce — e das pessoas que se deslocam o tempo todo, para chegar antes ao próximo trecho — havia outras aglomerações para lá da via L2, no espaço que vem desde a Rodoviária.

(V3: 28 min) - Público ainda voltando dos Três Poderes para a Esplanada

Uma câmera do alto do Anexo I do Senado mostra que, quando Lula chegou de novo à Catedral, muitas pessoas ainda voltavam da Praça dos Três Poderes para a Esplanada, pelas vias N1 e S1.

Essa parte não tem correspondência na posse de Bolsonaro, em 2019.

A guerra dos números (I)

Folha questiona os números do público na posse de Lula, já em 2003

Apenas 3 semanas depois da 1ª posse de Lula, a Folha de S. Paulo questionou os números divulgados por toda a “grande mídia” — inclusive ela mesma — quanto ao público presente ao evento.

Começou por resumir o que havia sido publicado:

A Folha afirmou haver cerca de 150 mil pessoas, com base em informações da Polícia Militar. A PM foi alterando suas estimativas ao longo do dia. Logo após o almoço, falava em 70 mil. No final da tarde, chegou aos 150 mil.

"O Globo" registrou na sua primeira página a presença de 200 mil pessoas, segundo "os organizadores". Nas páginas internas, atribuía aos organizadores a estimativa de 150 mil a 200 mil, e, segundo a PM, 70 mil — sem especificar o horário em que esse número da polícia havia sido coletado. Para "O Estado de S. Paulo", a festa "reuniu mais de 200 mil pessoas", dando como fonte a PM.

Para “arbitrar”, a Folha de S. Paulo optou por fornecer à Defesa Civil do DF “fotos aéreas da Esplanada” — que todos gostaríamos de ver, com a indicação dos respectivos horários — até porque a própria Folha lembra que havia restrições ao sobrevoo desses locais, e por isso as imagens não foram tomadas 100% na vertical, o que impedia cálculos realmente exatos.

Considerando que o público presente à posse de Lula em 2003 se movimentou o tempo todo, os técnicos da Defesa Civil fixaram-se em um único horário, às 15:30, e chegaram a um “público total” de 71 mil pessoas, considerando o gramado do Congresso + Praça dos Três Poderes (sem citar outras áreas). — Na verdade, um cálculo “parcial”, por ser “momentâneo”. — Em muitos outros casos, a própria Folha considera “público total” = a soma das pessoas presentes “ao longo do dia”, tipo: alguns vão embora e outros vão chegando, o tempo todo.

Infelizmente, a Folha não manteve nem repetiu esse método — no momento em que apoiava o impeachment, em 2016 — nem no momento em que o bolsonarismo já não lhe interessava, no 7 Set. 2021.

A guerra dos números (II)

DataFolha: - Reescrevendo a história

Em Março 2016, por exemplo, a Folha não hesitou em afirmar que o protesto pró-impeachment reuniu meio milhão de pessoas “na região da” Av. Paulista — notar o detalhe “na região”, pois a Av. Paulista, propriamente dita, possui apenas 111.000 m² — mas a matéria, disponível hoje na web, não especifica, não desenha, não indica metros quadrados, nem exibe fotos da “região” a ser somada à Av. Paulista.

Em vez disso, exibe uma reescrita da história em forma de infográfico — pelo qual, ficamos sabendo que o famoso comício pelas Diretas Já, em Abril 1984, não contou com 1 milhão de pessoas, mas apenas 400 mil — o que passa uma sensação de “autocrítica” e, portanto, de “seriedade”, mas não demonstra o que afirma.

Os números são apresentados com termos técnicos abstratos — “quadrantes”, “georreferenciamento” etc. — e não com dados e imagens da “região” (e suas áreas, a serem somadas à da Av. Paulista propriamente dita).

Convém notar este detalhe dentro da matéria — a ser lembrado, todas as vezes que “DataFolha” for citada:

Diferentemente da PM, o Datafolha não usa imagens aéreas para contabilizar o número de manifestantes porque elas não possibilitam o cálculo do total de diferentes pessoas que compareceram ao longo da tarde [grifos nossos].

Pesquisadores do instituto percorreram a avenida e mapearam a concentração de manifestantes em setores da Paulista divididos em quadrantes. Ao mesmo tempo, manifestantes também foram questionados sobre há quanto tempo estavam no ato.

Segundo a Veja SP (Mar. 2015 ~ Dez. 2016) — excluindo “a região” — “O Datafolha considera (...) uma área de 116 000 metros quadrados da Paulista” (...)

Para o Datafolha, a ocupação máxima da avenida é de 948 000 pessoas ao mesmo tempo – o que, segundo eles, não ocorreu ontem. Para isso, era necessário que em toda sua extensão houvesse 7 pessoas por metro quadrado, algo semelhante a um metrô cheio em horário de pico [grifos nossos].

Ao final, nenhuma demonstração, nenhuma imagem — embora baste uma calculadora para ver que 116.000 m² × 7 = 812.000 (não 948.000) pessoas — e tampouco explica qual questionário permite avaliar quantas pessoas já se haviam retirado “ao longo do” período considerado.

Nada é dito sobre como esses 30 estagiários (submersos na multidão) calculam quantas pessoas ocupam cada metro quadrado — embora todo o castelo de cartas repouse sobre este único dado. — O “georreferenciamento” só é usado para multiplicar a “estimativa de pessoas / m²”, feita pelos “pesquisadores”:

o Datafolha utiliza em casos como esse a área passível de ocupação do local pesquisado e a ocupação máxima (cerca de 7 pessoas por metro quadrado). Assim, eles determinam quantas pessoas por metro quadrado havia em cada local, refazendo a contagem de hora em hora e realizando entrevistas para saber há quanto tempo os presentes estavam ali. Após isso, é calculada a área ocupada por meio de georreferenciamento, resultado que é multiplicado pela estimativa de pessoas por metro quadrado.

Em 7 Setembro 2021, a Folha — agora, contra o golpismo — revela que:

Segundo o Datafolha, a lotação máxima do trecho Consolação-Paulista é de 1,5 milhão de pessoas — num cálculo intencionalmente superestimado, considerando 7 pessoas por metro quadrado [grifos nossos].

E confessa que aquele negócio de 7 pessoas / m² era brincadeirinha:

Para o Datafolha, 7 pessoas podem ocupar um metro quadrado, mas com pouca mobilidade, o que não ocorre em manifestações ao ar livre, por exemplo. O instituto usou como referência o manual de cálculo de multidões feito pelo CEPD (Centro de Estudos e Pesquisas de Desastres), da Prefeitura do Rio [grifos nossos].

A responsabilidade foi transferida para... a Prefeitura do Rio de Janeiro.

E nada disso explica a revisão do público nas Diretas Já — excluída a hipótese de 30 “pesquisadores” enviados ao ano de 1984, pelo Túnel do Tempo.

A guerra dos números (III)

Blogs noticiam a maior posse do universo, em 2019

Às 18:05 do dia 1º Jan. 2019, a Gazeta do Povo já tinha o número de “115 mil pessoas” na posse de Bolsonaro — o que seria maior do que a soma dos públicos nas posses de Lula e Dima. — No mesmo dia, o blog “Agência Caneta” elevou a posse de Bolsonaro à categoria de “a maior da história”.

Só quase 2 horas mais tarde, às 19:55, o portal UOL publicou o mesmo número de “115 mil pessoas” — porém, ressalvando que isto não superava o público presente à posse de Lula em 2003. — Tanto a Gazeta do Povo quanto o UOL utilizaram a mesma foto, de Nelson Almeida (AFP), mostrando as aglomerações ao norte da Alameda dos Estados, em ângulo bastante fechado (zoom, do alto).

Durante 3 dias, a torcida pôde compartilhar à vontade a versão que melhor lhe conviesse — até que, às 15:52 do dia 4 Jan. 2019, a “plataforma jornalística Aos Fatos” tentou botar alguma ordem na bagunça, observando o óbvio: — Não era possível comparar números de 3 fontes diferentes, com 3 “metodologias” diferentes:

  • Os números de 150 mil ~ 200 mil pessoas na posse de Lula em 2003 foram dados em diferentes horários, pela PM-DF — sempre utilizada como fonte, pela mídia, para eventos em Brasília. — “Aos Fatos” afirma que só a revista Época atribuiu à PM-DF o número de 200 mil pessoas, mas a “revisão” feita pela Folha, 3 semanas depois, registra que O Estado de S. Paulo também tinha atribuído à PM-DF o cálculo de “mais de 200 mil pessoas”.
  • O número de 71 mil pessoas na posse de Lula em 2003 foi dado, 3 semanas depois, por um estudo (sobre fotos selecionadas) encomendado pela Folha de S. Paulo à Defesa Civil do DF — que não esteve lá para isso, no dia; e que nunca foi chamada a tratar disso em qualquer outra ocasião, antes ou depois.
  • O número de “115 mil pessoas” na posse de Bolsonaro em 2019 foi dado pelo GSI — o gabinete de segurança, já então sob o comando de Bolsonaro. — Nesse dia, pela primeira vez em décadas, a PM-DF não calculou o número de pessoas presentes.

Outra coisa que fica patente, no texto de “Aos Fatos”, é que a PM-DF deu 2 respostas diferentes: — Primeiro, que não tinha mais os números de 2003 — e em seguida, que o número “oficial” para 2003 era “70 mil pessoas” (o mais baixo que a mídia recebeu da PM-DF, na época, no início da manhã).

Sombra e água?

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Referências

Vídeos

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Ferramentas

Camadas guardadas no aplicativo GoogleEarth

Costumo usar o GoogleEarth “Desktop”, por pura inércia, embora de alguns anos para cá, ele venha perdendo várias funcionalidades. — Agora, a “altitude” (acima do nível do mar), que aparece como “elev” (elevação) no canto inferior à direita, é sempre “zero” — e no Google Maps, também.

Em todo caso, é muito prático poder salvar inúmeros lugares, medidas e contornos em uma pasta “Esplanada” — para ter sempre à mão algumas distâncias, como a dos postes, por exemplo (21,4 metros ou seus múltiplos) — e a opção de ocultar ou exibir cada camada, com um clique.

Imagem dos Três Poderes em Janeiro 2019 no GoogleEarth desktop

Também é muito prático poder escolher entre sucessivas “imagens históricas” de cada local — desde meados da década de 1980. — Imagens de “21 Janeiro 2019” tende a ser mais fieis à realidade do terreno naquele momento.

Distância e elevação (altitude) do asfalto, no GoogleEarth Web

Mas, para verificar as elevações do terreno e do teto dos prédios, tive de recorrer ao GoogleEarth “Web” (navegador) — que também é mais prático para medir distâncias e áreas — mas ainda não descobri como salvá-las, para não ter de fazer tudo de novo, caso precise outra vez.

Aliás, essas medidas aparecem em um retângulo preto, inamovível, que atrapalha a produção das imagens.

Quanto à data das imagens, esqueça. — A única certeza é que todas foram feitas após 1º Jan. 1970: o início da “era do Unix”. — Parece que os desenvolvedores do GE Web não querem lidar com isso, no momento.

Elevação do Anexo I do Senado, no GoogleEarth Web

Com isso, foi fácil medir a extensão da sombra do Anexo I do Senado, na foto de Adriano Machado (Reuters) — e a altura relativa do topo do prédio até o asfalto (1.152 - 1.059 = cerca de 93 metros) — para determinar o ângulo de elevação do sol naquele momento (cerca de 36º).

Aproveitei o recurso “medir área” para desenhar um triângulo — legendado no Gimp, mais tarde — para ilustrar o cálculo do ângulo de elevação do sol.

Hora aproximada da foto, pelo KStars

Recuando até 1º Jan. 2019 no KStars, pude verificar que a elevação do sol a 36º ocorreu pouco antes das 17:00 — o que está bem próximo da hora da publicação feita pelo portal G1 Globo, às 16:52.

Números aproximados, pois adotei a faixa seccionada (no asfalto), um pouco à frente da sombra, e o GoogleEarth não favorece a exatidão. — Usei uma tabela trigonométrica simples, só para ângulos em números inteiros; — e verifiquei no KStars só as horas inteiras (das 13:00 até as 19:00).

Mesmo sem os dados Exif da imagem, pode-se saber que a foto não é de 2 ou 3 horas antes: — A publicação foi feita quase “em tempo real” — e não foi necessário um motoqueiro “levar o Pendrive”.

Infelizmente, nessa época do ano, em Brasília, é muito comum o céu encoberto (alternando sol, mormaço, chuvas ocasionais) — com a luz solar direta dando lugar a uma luminosidade difusa, que não gera sombras definidas. — Por isso, boa parte das fotos das 2 posses não permite determinar a hora exata.

Do ponto de vista da documentação e da transparência, o ideal seria que todas as imagens exibissem a hora real, em um canto — não a hora da transmissão pela TV (no caso de reprodução posterior, por exemplo) — e essa hora não fosse cortada pelos jornais, portais etc. Mas isto é um sonho difícil.

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